Momento complicado

Investidores devem evitar a “casa em chamas” do Brasil, diz economista da FGV

“No momento, é melhor deixar o Brasil para especialistas, malucos, oportunistas de longo prazo e aqueles sem outras opções”, afirma

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SÃO PAULO – Conforme o presidente Jair Bolsonaro apoia protestos contra o isolamento social, o Brasil se aprofunda em uma grave crise por conta da pandemia do novo coronavírus e os investidores deveriam evitar a “casa em chamas” do Brasil neste momento, avaliou o economista Armando Castelar,  coordenador de pesquisa do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas, em artigo para a empresa financeira Gavekal Research publicado nesta terça-feira (12).

“Sua resposta à saúde pública tem sido fraca e as mortes são as mais altas no mundo emergente. Os investidores estão horrorizados com os custos econômicos de tal confusão, como mostra a saída de capital e a moeda em queda”, afirma em relatório o economista.

Segundo ele, por outro lado, o lado positivo é que “a estrutura federal do Brasil significa que o país pode lidar com a crise, apesar da fraca liderança central”.

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“Isso significa que as perspectivas de desenvolvimento de longo prazo do país não devem ser excessivamente prejudicadas, mesmo que as perspectivas de investimento para os próximos dois anos sejam sombrias”, avalia Castelar.

O economista destaca ainda as medidas que foram tomadas pelo governo e outras autoridades, como a ajuda de R$ 600 para as famílias, o projeto que dá mais poder para o Banco Central e até mesmo o corte da Selic para 3%, que ocorre diante da queda da inflação em um momento de economia cada vez mais fraca.

Apesar disso, ele diz que “o problema é que a situação política do Brasil é febril”, já que, assim como nos Estados Unidos, o presidente e os governadores estão em desacordo, com as autoridades estaduais adotando medidas mais restritivas enquanto por aqui a liderança do federativo ainda apoia protestos contra o isolamento.

Castelar diz que mesmo assumindo-se um bom resultado na  saúde pública, as contas públicas fracas do Brasil restringem a demanda doméstica. Esta demanda reprimida, segundo ele, aponta que o crescimento deve aumentar no segundo semestre e no próximo ano, mas não irá se recuperar totalmente até meados de 2022.

Em nota a clientes nesta terça-feira (12), o Deutsche Bank apontou que o Brasil pode enfrentar a pior recessão da sua história uma vez que a pandemia do coronavírus expõe as reformas ainda não finalizadas no Brasil, além do cenário político, o que também pode levar o dólar para R$ 6,50.

Além disso, ontem, o Itaú cortou a projeção do PIB do Brasil para 2020 de queda de 2,5% para baixa de 4,5%. Para 2021, projeção do PIB também foi cortada, de alta de 4,7% para 3,5%, devido à redução na estimativa de crescimento global.

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“No momento, é melhor deixar o Brasil para especialistas, malucos, oportunistas de longo prazo e aqueles sem outras opções”, afirma o professor da FGV projetando uma queda de 10% na produção brasileira este ano e desemprego em 18% no fim do ano.

Por outro lado, ele aponta por onde poderemos ver uma recuperação no País: “qualquer recuperação global alimentada por estímulos e liquidez pode fazer com que os produtores brasileiros de commodities se saiam bem no final do ano e eles devem ser o foco de qualquer esforço especulativo”, conclui Castelar.

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