Inflação nos EUA: núcleo do PCE repete alta e avança 0,2% em novembro

O índice cheio do PCE subiu 2,8%, acima do consenso capturado em pesquisa Reuters

Paulo Barros Agências de notícias

Mulher carrega sacolas de compras em Nova York
21/12/2022. REUTERS/Eduardo Munoz
Mulher carrega sacolas de compras em Nova York 21/12/2022. REUTERS/Eduardo Munoz

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O núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) nos Estados Unidos subiu 0,2% em novembro na base de comparação mensal, mesmo número registrado em outubro, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (22) pelo Departamento de Comércio. Na comparação anual, a alta do núcleo foi de 2,7%.

O índice cheio do PCE aumentou 0,2% em novembro, igualando o avanço de outubro. Nos 12 meses até novembro, o PCE subiu 2,8%, de 2,7% em outubro, acima do esperado. O consenso da pesquisa Reuters apontava um PCE em 12 meses novamente em 2,7%.

No entanto, o núcleo do PCE, que exclui alimentos e energia, considerados mais voláteis, é o que mais importa – ele ficou em linha com as expectativas. Este é o indicador preferido do Federal Reserve para conduzir a política monetária nos EUA.

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A divulgação dos dados combinados de outubro e novembro foram adiados devido à paralisação do governo de 43 dias.

“O Fed chega na primeira reunião do ano com uma perspectiva tanto de inflação quanto de desemprego mais baixos”, observa Andressa Durão, economista do ASA. “Esperamos uma manutenção da taxa de juros nos EUA ao longo de 2026.”

Gastos do consumidor

Os gastos dos consumidores dos Estados Unidos aumentaram em novembro e outubro, provavelmente mantendo a economia no caminho certo para um terceiro trimestre consecutivo de forte crescimento.

Os gastos do consumidor, que respondem por mais de dois terços da atividade econômica, subiram 0,5% tanto em novembro quanto em outubro. Economistas consultados pela Reuters tinham previam alta de 0,5% em novembro.

O escritório informou mais cedo nesta quinta-feira que a economia cresceu a uma taxa anualizada de 4,4% no terceiro trimestre, depois de expandir 3,8% no trimestre de abril a junho.

A economia está sendo impulsionada principalmente pelos gastos dos consumidores e por um déficit comercial cada vez menor, uma vez que as tarifas do presidente Donald Trump restringem as importações.

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No entanto, as tarifas aumentaram os preços para os consumidores, e economistas dizem que os gastos são sustentados pelas famílias de renda mais alta, enquanto as de renda média e baixa enfrentam uma capacidade limitada de substituir as compras.

Inflação ‘camuflada’

Embora a inflação tenha diminuído em outubro e novembro, isso ocorreu porque a paralisação do governo injetou um viés de baixa nos preços.

O governo não conseguiu coletar a maioria dos dados para compilar o relatório do índice de preços ao consumidor de outubro. Da mesma forma, a maioria dos dados não estava disponível para o relatório de preços de importação de outubro.

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Essas lacunas de dados também afetaram os relatórios do índice de preços ao consumidor e dos preços de importação de novembro.

(com Reuters)

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)