Inflação do Carnaval sobe acima do IPCA e preços ficam 80% mais caros em 10 anos

Produtos que compõem a cesta da folia subiram 14 pontos percentuais acima da inflação do período, aponta levantamento da Rico

Élida Oliveira

(Foto: Ugur Arpaci/ Unsplash)
(Foto: Ugur Arpaci/ Unsplash)

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Os preços de produtos relacionados ao Carnaval subiram cerca de 80% em 10 anos, e ficaram acima da variação do IPCA, o índice oficial da inflação do país. Um levantamento feito pela Rico, plataforma de investimentos e serviços financeiros do Grupo XP Inc., aponta que a variação dos preços gerais no período foi de 64,77%, o que deixa a cesta de produtos da folia 14 pontos percentuais acima do IPCA.

O preço das bebidas é o que pesa mais tem pesado no bolso do folião: em 10 anos, as bebidas (exceto cerveja) subiram 80,7%, enquanto a cerveja ficou 58,1% mais cara.

O estudo analisou a variação de preços dos principais gastos associados ao Carnaval, como cerveja e outras bebidas alcoólicas, bijuterias, artigos de maquiagem, cabeleireiro, passagens aéreas e ônibus interestaduais.

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Inflação do Carnaval
Itens12 meses6 anos10 anos
IPCA geral4,26%39,15%64,77%
Cesta total da folia5,51%48,97%79,07%
Cerveja5,97%41,34%58,18%
Outras bebidas alcoólicas-2,88%51,09%80,76%
Vinho0,80%23,64%*
Cerveja3,11%31,87%51,53%
Bijuteria9,88%57,84%61,76%
Ônibus interestadual4,04%26,95%54,91%
Passagem aérea7,86%48,64%74,23%
Artigos de maquiagem3,27%29,09%35,16%
Cabeleireiro e barbeiro8,07%42,62%*
*Iniciou a partir de 01/2020
Fonte: Levantamento Rico com base no IPCA

Para Maria Giulia Figueiredo, analista de research da Rico e responsável pelo levantamento, a variação de preços na cesta de produtos relacionados ao Carnaval ficou acima da inflação devido a uma combinação de fatores diversos, como aumento da demanda, mudanças tributárias, encarecimento de insumos e depreciação cambial.

“Para quem quer curtir a folia sem comprometer o orçamento, vale a pena planejar os gastos com antecedência, buscar promoções e considerar alternativas mais econômicas”, afirma.

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Aumento das bebidas puxado pelo dólar e insumos

A alta da cerveja nos últimos 10 anos foi de 58,18%, variação que foi puxada pelo preço de insumos, como o malte e o alumínio das embalagens, segundo a Rico.

Já outras bebidas alcoólicas, como destilados e coquetéis prontos, ficaram 80,76% mais caras, a maior variação entre os preços analisados.

“Esse aumento reflete o encarecimento dos insumos, como malte e alumínio para as latas, além da valorização do dólar, que impactou a importação”, diz Figueiredo.

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Viagens mais caras pelo preço dos combustíveis

Quem gosta de viajar durante o Carnaval vai precisar desembolsar 74,23% a mais agora do que há 10 anos em passagens aéreas, ou 54,91% a mais em passagens de ônibus interestaduais.

Segundo Figueiredo, o preço dos combustíveis, câmbio, demanda e ajustes na oferta são os fatores que estão por trás dessas variações.

Dólar e custos de produção pesam na maquiagem e bijuterias

A produção visual do Carnaval também pesa mais no bolso do folião. A inflação das bijuterias acumulou alta de 61,76% em 10 anos. No recorte de seis anos, a variação foi de 57,84%, o que, segundo a Rico, mostra um avanço consistente ao longo do tempo.

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Considerando apenas a inflação do último ano, as bijuterias foram as que tiveram maior alta, subindo 9,88%, enquanto o IPCA geral ficou em 4,26%. Esse movimento é explicado pelo aumento dos custos de produção e a alta do dólar, que encarece insumos como metais e pedras sintéticas, de acordo com a Rico.

A ‘make’ também ficou mais cara. A variação dos artigos de maquiagem foi de 35,16% em 10 anos e de 29,09% em seis anos. Para Figueiredo, isso reflete o encarecimento de pigmentos importados e embalagens.

Variação da renda acompanha os preços

A análise também aponta que a variação da renda nos últimos 10 anos acompanhou os preços da inflação relacionada aos serviços. Isso significa que o folião pode até estar ganhando mais do que há 10 anos, mas desembolsa valores maiores para poder curtir o Carnaval.

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Como curtir a folia sem peso no bolso

Planejar os gastos com antecedência é sempre uma boa dica para poder curtir a folia sem pesar no bolso. Thaisa Durso, educadora financeira da Rico, afirma que este planejamento pode ajudar o folião a fugir de preços caros de última hora.