Indústria do Brasil volta a crescer em junho mas vendas e produção recuam, mostra PMI

O ‌PMI da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 50,8 em junho, de 49,1 em maio

Reuters

Ativos mencionados na matéria

(Foto: Rebecca Cook / Reuters)
(Foto: Rebecca Cook / Reuters)

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SÃO PAULO, 1 Jul (Reuters) – A ⁠atividade industrial no Brasil voltou a registrar leve expansão ⁠em junho, com pressões inflacionários menores, criação de vagas de trabalho e ‌aumento de estoques compensando retrações nas vendas e nos volumes de produção, de acordo com a pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI) divulgada nesta quarta-feira.

O ‌PMI da indústria brasileira, compilado pela S&P Global, subiu a 50,8 em junho, de 49,1 em maio, ficando pouco acima da marca de 50 que separa contração de crescimento.

No entanto, o crescimento refletiu principalmente a criação de empregos pelo quinto mês seguido e a formação de estoques, já que dois dos maiores subcomponentes do ⁠indicador — ‌produção e novas encomendas — permaneceram em território de contração.

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Os estoques de itens de ⁠pré-produção aumentaram pelo quarto mês consecutivo em junho, no ritmo mais forte em quase cinco anos, com os participantes da pesquisa mencionando chegada de insumos adquiridos anteriormente e esforços recentes para reforçar os estoques de segurança. Os estoques de produtos acabados também cresceram, encerrando uma sequência de dois meses ​de redução.

O PMI também foi impulsionado pelo índice de prazo de entrega dos fornecedores. Embora prazos de entrega mais longos normalmente sinalizem condições de demanda ​forte, o atual aumento desses prazos refletiu interrupções nas cadeias de oferta causadas pelo conflito no Oriente Médio.

‘O conflito no Oriente Médio … não ajuda — ele está agravando a inflação, prejudicando o comércio, abalando a confiança das empresas e provocando alguns dos piores atrasos nas entregas que vimos desde meados de 2022, ‌tornando mais difícil para as companhias obterem os materiais ​de que necessitam’, disse Pollyanna De Lima, diretora associada de economia da S&P Global Market Intelligence.

As contrações nas novas encomendas totais e na produção tiveram um ritmo mais lento do que em maio, ⁠mas as empresas continuaram ​relatando redução do apetite ​dos clientes por bens, pressões competitivas e encolhimento do mercado. As encomendas internacionais registraram queda acentuada, embora ⁠em ritmo menos intenso do que no ​mês anterior.

Os três grandes segmentos da indústria monitorados pela pesquisa — bens de consumo, intermediários e de investimento — registraram reduções na produção, nos novos pedidos e nas vendas para o exterior.

Os ​custos de insumos tiveram a menor pressão inflacionária em três meses, mas as empresas ainda apontaram que a guerra no Oriente Médio ​elevou os gastos com ⁠combustíveis, matérias-primas e transporte.

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Os preços cobrados também subiram no ritmo mais lento em três meses, à medida que ⁠parte dos custos adicionais foi repassada aos clientes.

Embora as empresas tenham mantido uma visão positiva sobre as perspectivas de crescimento, a confiança recuou em junho para o menor nível em 14 meses. O otimismo foi limitado por preocupações relacionadas à concorrência, ao comportamento da demanda, à incerteza política e à volatilidade dos mercados globais.

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