IGP-M tem deflação de 0,95% em setembro; maior que a previsão de -0,86%

Inflação do aluguel mantém desaceleração em 12 meses, agora de 8,2%; no ano, indicador acumula alta de 6,61%

Roberto de Lira

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O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) registrou uma deflação de 0,95% e, com isso, manteve a desaceleração no acumulado em 12 meses, de 10,08% em julho para 8,59% em agosto e agora 8,2%, divulgou nesta quinta-feira (29) a Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A deflação foi mais forte que o resultado de agosto (-0,70%) e bem melhor que o indicador de setembro de 2021 (+0,64%), quando o índice acumulava uma alta de 24,86% em 12 meses. A variação negativa também foi maior que a esperada pelo mercado, que projetava uma queda de 0,86% nos preços segundo o consenso Refinitiv.

O IGP-M é conhecido como “inflação do aluguel”, por historicamente ser usado como indexador para reajustar contratos de locação. Com a deflação de setembro, o indicador agora acumula alta de 6,61% no acumulado de 2022.

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Preços caíram mais para o produtor

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) caiu 1,27% em setembro, após queda 0,71% em agosto. Segundo André Braz, coordenador dos índices de preços da FGV, as quedas registradas nos preços de commodities e combustíveis seguem influenciando o resultado do IPA.

Ele lista que o preço do minério de ferro caiu 4,81%, ante queda de 5,76% na última apuração. Já os preços do Diesel (de -2,97% para -4,82%) e da gasolina (de -8,23% para -9,18%) recuaram ainda mais em setembro.

IPC

Já para o consumidor, a inflação ficou menos negativa – acelerando de -1,18% em agosto para -0,08% em setembro. “O setor serviços contribuiu para tal movimento, com destaque para passagem aérea (27,61%), aluguel residencial (1,42%) e plano e seguro de saúde (1,15%)”, afirma Braz.

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A principal contribuição partiu do grupo Educação, Leitura e Recreação (-3,07% para 4,47%). Nesta classe de despesa, o item passagem aérea passou de –17,32% em agosto para 27,61% em setembro.

Também apresentaram acréscimo em suas taxas de variação os grupos Transportes (-4,84% para -2,93%), Habitação (-0,31% para 0,21%), Vestuário (0,20% para 0,57%), Comunicação (-0,83% para -0,54%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,67% para 0,72%). Nestas classes de despesa, vale mencionar os seguintes itens: gasolina (-15,14% para -9,46%), tarifa de eletricidade residencial (-3,32% para -0,87%), calçados (-0,17% para 0,87%), tarifa de telefone móvel (-2,40% para -0,35%) e artigos de higiene e cuidado pessoal (1,07% para 1,24%).

Em contrapartida, os grupos Alimentação (0,44% para -0,34%) e Despesas Diversas (0,36% para 0,08%) registraram decréscimo em suas taxas de variação. Nestas classes de despesa, os destaques foram laticínios (6,45% para -3,82%) e cigarros (2,55% para 0,90%).

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INCC

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou 0,10% em setembro, ante 0,33% em agosto. Os três grupos componentes do INCC registraram as seguintes variações na passagem de agosto para setembro: Materiais e Equipamentos (0,03% para -0,14%), Serviços (0,68% para 0,34%) e Mão de Obra (0,54% para 0,26%).