Haddad indica Guilherme Mello para vaga na diretoria do Banco Central

Economista de esquerda, Mello tem atuado ao lado de Haddad na defesa de cortes na taxa de juros, atualmente em 15%

Bloomberg

O economista Guilherme Mello em audiência pública no Senado Federal (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)
O economista Guilherme Mello em audiência pública no Senado Federal (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defendeu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a indicação de um aliado de dentro do próprio ministério para uma vaga aberta no Conselho Diretor do Banco Central, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto.

De acordo com essas fontes, Haddad apresentou o nome de Guilherme Mello, secretário de Política Econômica da Fazenda, para ocupar uma das duas cadeiras vagas no colegiado. Elas pediram anonimato por se tratar de discussões internas.

Economista de esquerda, Mello tem atuado ao lado de Haddad na defesa de cortes na taxa de juros, atualmente em 15%, o maior patamar em quase duas décadas.

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Haddad não comentou. Nem Mello nem o gabinete de Lula responderam imediatamente aos pedidos de comentário enviados fora do horário comercial, na noite de sexta-feira.

O Conselho Diretor do Banco Central, composto por nove membros e presidido por Gabriel Galípolo, está com duas vagas desde o fim de 2025, quando se encerraram os mandatos dos ex-diretores Diogo Guillen e Renato Gomes.

No passado, Lula já seguiu recomendações de Haddad em indicações ao Banco Central. Galípolo, nomeado para o colegiado em 2023 e posteriormente escolhido presidente da instituição, foi secretário-executivo da Fazenda durante a gestão de Haddad.

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Ainda assim, não está claro se o presidente aceitará a sugestão do ministro desta vez, segundo as fontes.

Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária decidiu manter a taxa Selic pela quinta reunião consecutiva e sinalizou que espera iniciar um ciclo de cortes de juros no próximo encontro, em março. Por causa das vagas em aberto, apenas sete diretores participaram da decisão.

Mello, de 42 anos, integra o grupo dos chamados economistas estruturalistas, corrente associada à esquerda que defende maior intervenção do Estado e investimentos públicos para ampliar a produção e corrigir desequilíbrios entre oferta e demanda que podem pressionar a inflação, em vez de depender apenas da política monetária para controlar a liquidez.

Ele ocupa o cargo atual desde o retorno de Lula à Presidência, em 2023. Antes disso, atuou como assessor na campanha presidencial de Haddad em 2018 e integrou a equipe responsável pela formulação do programa econômico de Lula na eleição de 2022.

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