Desabafo

Guedes: “A tragédia nos machucou, mas o que adianta ficar jogando pedra?”

Ministro disse ainda que o ano de 2020 foi "exemplar" em termos de ação conjunta com o Congresso Nacional.

Paulo Guedes (Foto: Marcos Corrêa/PR)

O ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou na quarta-feira, 25, as críticas que tem recebido à atuação da equipe econômica a como se estivesse “sendo apedrejado pelas costas o tempo inteiro”. “A tragédia está aí, nos machucou, atingiu nossas famílias, é péssimo. Agora, o que adianta ficar jogando pedra?”, questionou.

Guedes disse que o ano de 2020 foi “exemplar” em termos de ação conjunta com o Congresso Nacional. Como evidência disso, ele citou a aprovação de mais recursos para a saúde, justamente para combater a pandemia do novo coronavírus, ao mesmo tempo em que houve apoio político à medida que veta aumentos salariais até o fim do ano que vem.

“Vocês têm que nos ajudar a construir uma sociedade melhor. Não se constrói com fofoca, com descredenciamento. O presidente teve 60 milhões de votos, todo dia tem um ataque pessoal”, afirmou Guedes.

“Aí o ministro está fazendo um trabalho, a economia voltou em V, a arrecadação está subindo, a economia está retomando o crescimento, já estava começando a crescer, foi atingida pela doença. Aí todo mundo estava achando que ia ser a pior coisa do mundo, a economia começa a voltar. A tragédia está aí, nos machucou, atingiu nossas famílias, é péssimo. Agora, o que adianta ficar jogando pedra? É como se tivesse tentando ajudar e sendo apedrejado pelas costas o tempo inteiro. Isso é uma ação destrutiva. E quanto a crítica é injusta, ela não merece respeito”, acrescentou.

Guedes desceu de seu gabinete, na Esplanada dos Ministérios, junto ao senador Rodrigo Pacheco e ao secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, para celebrar a aprovação da nova Lei de Falências, que vai agilizar processos de recuperação judicial no Brasil. Ele passou a responder às críticas após ser questionado se estava desacreditado.

Durante a conversa com os jornalistas, o ministro reclamou do que ele classificou como “versão sempre negativa” que é divulgada sobre os fatos e chegou a dizer que deve agora “conversar um pouco menos e trabalhar um pouco mais”.

Sem citar nenhum nome, Guedes disse inclusive que “tem um ministro da Saúde que saiu daqui que parecia animador de televisão”. O ex-ministro Luiz Henrique Mandetta deixou o governo em abril após o desgaste da relação com o presidente Jair Bolsonaro, e a aparição constante do então ministro foi um dos fatores que contribuiu para isso.

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“Espero que vocês não sejam contaminados por uma crise de desrespeito que há no Brasil. As pessoas estão perdendo o juízo”, disse Guedes. “Estão querendo descredenciar democracia? Será que estamos ensinando que oposição deve ser odiosa?”, continuou.

Interlocução

Após embates com o Congresso, Guedes fez questão de ressaltar que tem “interlocução total” e destacou conversas nesta semana com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), com o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), com a senadora Katia Abreu (MDB-TO) e “senadores da oposição”, sem dizer quais.

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O ministro também destacou sinais positivos, como a reafirmação da nota de classificação de risco pela agência Fitch e “elogios” do Fundo Monetário Internacional (FMI) para as políticas adotadas pelo Brasil no combate à pandemia. “Não houve uma promessa que eu tenha feito que não tenha tido como base um acordo político”, disse Guedes, emendando depois um reconhecimento de que, com a pandemia, faltou um debate mais profundo do pacto federativo. Segundo ele, com o pouco tempo até o fim do ano, o governo tomou a decisão de focar na PEC emergencial, que contém gatilhos de contenção de despesa mas é mais enxuta que o pacto.

Ele justificou ainda que a velocidade de implementação do plano da equipe econômica depende de timing político e disse que o governo não tinha, no início, esse eixo de articulação.

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