Pandemia

Gripe Espanhola e coronavírus: cientistas alertam que nova pandemia pode ser tão letal quanto gripe de 1918

"Se tratada de forma insuficiente, a infecção por SARS-CoV-2 pode ter mortalidade maior do que a infecção pelo vírus de 1918", escreveu o pesquisador

Surto de Gripe Espanhola em Oakland, EUA, 1918 (Wikimedia Commons)

SÃO PAULO – A pandemia causada pelo novo coronavírus pode ser tão mortal quanto a pandemia de gripe de 1918 e o número de óbitos pode ser ainda pior caso os líderes mundiais e as autoridades de saúde pública não consigam conter a atual disseminação do vírus adequadamente.

O alerta foi dado por pesquisadores em um estudo publicado nesta quinta-feira (13) na revista médica JAMA Network Open, publicação cientifica vinculada à American Medical Association (Associação Médica Americana, em tradução livre), maior associação de médicos e de estudantes de medicina nos Estados Unidos.

“O que queremos é que as pessoas saibam é que isso que estamos vivendo agora tem potencial para ser tão ruim quanto 1918”, disse o autor principal, Dr. Jeremy Faust, em entrevista, acrescentando que o surto em Nova York foi pelo menos 70% tão grave quanto o de 1918, em uma época que os médicos não tinham ventiladores ou outros avanços para ajudar a salvar vidas como fazem hoje. “Isso não é algo para se ignorar como uma gripe”.

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Os pesquisadores compararam o excesso de mortes na cidade de Nova York durante o pico da pandemia de 1918 com aquelas durante os primeiros meses do surto de Covid-19. Eles usaram dados públicos dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, do Departamento de Saúde e Higiene Mental da Cidade de Nova York e do Censo dos EUA para realizar suas análises.

Na análise dos dados, os pesquisadores descobriram que o aumento de mortes durante a pandemia da Gripe Espanhola de 1918 foi maior no geral, mas comparável ao observado nos primeiros dois meses do surto de coronavírus na cidade de Nova York.

Mas quando levamos em consideração as melhorias na higiene, medicina moderna e saúde pública, o aumento durante o surto inicial do coronavírus foi “substancialmente maior” do que durante o pico da pandemia de 1918, escreveram os pesquisadores.

“Se tratada de forma insuficiente, a infecção por SARS-CoV-2 pode ter mortalidade comparável ou maior do que a infecção pelo vírus da influenza H1N1 de 1918”, escreveu Faust no artigo. Ele é médico do Brigham and Women’s Hospital e instrutor da Escola de Medicina da Universidade de Harvard.

Estudo possui ressalvas

Entretanto, os autores do estudo notaram que a pesquisa tinha certas limitações. Os pesquisadores disseram que não se sabe quantas mortes de Covid-19 foram evitadas desde o início do surto por causa de melhorias modernas nos cuidados de saúde que não estavam disponíveis um século atrás, como oxigênio suplementar e ventiladores – e esse tipo de dado seria fundamental para uma comparação mais realista.

O novo estudo ocorre enquanto o coronavírus continua a se espalhar rapidamente pelos Estados Unidos e pelo mundo. Desde o início da pandemia, que começou na cidade de Wuhan, na China, o vírus já infectou mais de 20 milhões de pessoas em todo o mundo e matou pelo menos 749.700, de acordo com dados compilados pela Universidade Johns Hopkins.

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Os EUA têm o pior surto do mundo, com mais de 5 milhões de infecções e pelo menos 166.000 mortes, mostram os dados da Hopkins. O país registou mais de 1.500 mortes causadas pela Covid-19 na quarta-feira, marcando o dia mais mortal para o país desde o final de maio.

Um estudo separado, publicado no dia 1 de julho no JAMA Internal Medicine, descobriu que o número de mortes confirmadas nos EUA devido ao coronavírus é substancialmente menor do que a contagem verdadeira.

Esses pesquisadores descobriram que o número excessivo de mortes acima dos níveis normais também excedeu os atribuídos à Covid-19, levando-os a concluir que muitas dessas mortes foram provavelmente causadas pelo coronavírus, mas não confirmadas.

As discrepâncias nos relatórios estaduais e o aumento acentuado nas mortes nos EUA em meio a uma pandemia sugerem que o número de fatalidades da Covid-19 está subestimado, disseram eles.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que não há “bala de prata” para o vírus e os profissionais de saúde provavelmente precisarão de uma série de tratamentos para ajudar os pacientes a combater a doença.

Autoridades de saúde pública e especialistas em doenças infecciosas frequentemente compararam Covid-19 à gripe de 1918, que se estima ter matado 50 milhões de pessoas em todo o mundo de 1918 a 1919. Para efeito de comparação, cerca de 20 milhões de pessoas morreram na Primeira Guerra Mundial, ao longo dos quatro anos de conflito, de 1914 até 1918.

Anthony Fauci, o maior especialista em doenças infecciosas dos EUA, disse que o coronavírus é uma “pandemia de proporções históricas” e os livros de história provavelmente irão compará-la a 1918.  Os pesquisadores do novo estudo disseram que suas descobertas podem ajudar as autoridades a contextualizar a magnitude incomum da pandemia Covid-19 e “levar a políticas mais prudentes que podem ajudar a diminuir a transmissão”.

Covid no Brasil

Segundo o último levantamento do consórcio de veículos de imprensa feito nesta quinta-feira (13), a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde, o Brasil já registou 104.528 mortes pelo novo coronavírus desde o início da pandemia do país.

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Nas últimas 24 horas foram registrados 1.164 óbitos. Com isso, a média móvel de novas mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 978 óbitos, uma variação de -5% em relação aos dados registrados em 14 dias.

Sobre os infectados, o total de brasileiros que foram infectados com o novo coronavírus chegou a 3.170.474 . Nas últimas 24 horas, foram registrados 58.081 novos casos confirmados no país. o. A média móvel de casos foi de 43.959 por dia, uma variação de -5% em relação aos casos registrados em 14 dias.

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