Governo brasileiro tem ‘aversão a controlar gastos’, diz Goldman Sachs

Banco afirma que dificuldade em conter despesas mina credibilidade da meta fiscal, e vê dívida pública em trajetória crescente “no futuro previsível”

Paulo Barros

Prédio do Ministério da Fazenda em Brasília
14/02/2023
REUTERS/Adriano Machado
Prédio do Ministério da Fazenda em Brasília 14/02/2023 REUTERS/Adriano Machado

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O déficit fiscal do setor público consolidado voltou a superar 8% do Produto Interno Bruto (PIB) e deve permanecer nesse patamar nos próximos anos, segundo relatório do Goldman Sachs divulgado após a publicação das estatísticas fiscais pelo Banco Central na última sexta-feira (30).

O déficit fiscal total alcançou 8,34% do PIB, enquanto o resultado primário consolidado ficou negativo em 0,43% do PIB em 12 meses. Em dezembro, o setor público registrou superávit de R$ 6,3 bilhões, acima do consenso de mercado, mas inferior ao resultado observado no mesmo mês do ano anterior.

Os analistas do Goldman, chefiados pelo economista Alberto Ramos, afirmam que “uma postura fiscal pró-cíclica e a aversão a controlar gastos comprometeram severamente a credibilidade das metas fiscais”, acrescentando que esse quadro contribuiu para uma economia superaquecida.

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Para a instituição, um arcabouço fiscal considerado fraco e pouco confiável elevou os prêmios de risco e dificultou o ancoramento das expectativas de inflação no curto e médio prazos.

A dívida bruta do governo geral encerrou 2025 em 78,7% do PIB, acima dos 71,7% registrados no fim de 2022, e a tendência, segundo o banco, é de continuidade da alta. Pelo critério do FMI, que inclui títulos na carteira do Banco Central, o indicador chega a 93,4% do PIB.

O Goldman avalia que o resultado primário deve permanecer deficitário “no futuro previsível” e que a dinâmica da dívida seguirá em trajetória ascendente. Segundo o banco, colocar a dívida em um caminho estrutural de queda exigiria superávits primários acima de 2% do PIB, cenário considerado “altamente improvável no curto prazo”.

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Além das contas públicas, o relatório também comenta o mercado de trabalho. Para o banco, a taxa de desemprego em nível historicamente baixo, combinada ao crescimento real dos salários, sustenta pressões de custos, especialmente em serviços intensivos em mão de obra. Nesse contexto, o Goldman afirma esperar uma postura cautelosa do Banco Central na calibragem da política monetária no curto prazo.

Paulo Barros

Jornalista, editor de Hard News no InfoMoney. Escreve principalmente sobre economia e investimentos, além de internacional (correspondente baseado em Lisboa)