Galípolo diz que stablecoins eram prioridade para BCs antes de tensões globais

Presidente do BC afirma, em evento na Espanha, que riscos e oportunidades das stablecoins saíram do centro do debate com o avanço das preocupações geopolíticas e elogia a liderança de Christine Lagarde no tema

Estadão Conteúdo

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de uma coletiva de imprensa na sede do banco em Brasília, Brasil, em 26 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de uma coletiva de imprensa na sede do banco em Brasília, Brasil, em 26 de março de 2026. REUTERS/Adriano Machado

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O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta sexta-feira (8) que, antes de as tensões geopolíticas monopolizarem o debate, os riscos e oportunidades das stablecoins estavam no “topo da mente” de todos os bancos centrais.

A declaração ocorreu em evento realizado na Espanha. Galípolo fez a abertura da palestra da presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, no I Fórum Econômico do Banco da Espanha para a América Latina.

“Nós, supervisores do mercado financeiro e reguladores, sempre buscamos impulsionar e acolher a inovação tecnológica. Mas, recentemente, Lagarde disse que tem alguma dificuldade em ver um caso de negócios para stablecoins. A maneira como entendi isso é: quando as stablecoins oferecem uma solução melhor ou com menos atrito por causa de alguma vantagem tecnológica, faz sentido. A questão é quando vemos menos atrito apenas porque elas servem para contornar o quadro regulatório, oferecendo algum grau de opacidade a esse tipo de operação. E, se esse for o caso, precisamos de algo em que a senhora Lagarde também tem muita experiência: sincronizar nossos movimentos nessas águas turbulentas que vemos hoje”, disse.

No início de sua fala, Galípolo fez referência à experiência de Lagarde e afirmou que a presidente do BCE é um modelo a ser seguido.

“Estamos sempre em busca de suas palavras de sabedoria, especialmente quando estamos navegando em águas turbulentas, como nos tempos que estamos vivendo agora”, afirmou. “Uma das coisas que aprendi nesses últimos 17 meses neste trabalho é que algo que mantém esta comunidade unida é o fato de todos os bancos centrais compartilharem o mesmo estado de espírito e humor. Estamos constantemente preocupados — e é fato que as notícias recentes nos ajudam a manter firme esse estado de espírito.”