Galípolo: Choque de oferta é desafio especial e BC precisa estar ainda mais vigilante

Na apresentação, Galípolo afirmou que o BC não irá se desviar de seu objetivo central de ​controlar a inflação, que tem no Brasil uma meta contínua de 3%

Reuters

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo, participa de uma entrevista coletiva na sede do Banco Central do Brasil em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2025. REUTERS/Adriano Machado
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo, participa de uma entrevista coletiva na sede do Banco Central do Brasil em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2025. REUTERS/Adriano Machado

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BRASÍLIA, 13 Mai (Reuters) – ⁠O presidente do Banco Central, Gabriel ⁠Galípolo, disse nesta quarta-feira que choques de oferta ‌observados no período recente impõem à autoridade monetária desafio especial porque afetam a percepção sobre o trabalho ‌da autarquia, embora os instrumentos que ela possui tenham sido desenhados para “outro tipo de tempestade”.

Em conferência na sede do BC, Galípolo afirmou que esse ambiente de incerteza, associado a um mercado de trabalho apertado e expectativas ⁠de ‌mercado desancoradas no Brasil, demanda que a autarquia ⁠esteja ainda mais vigilante.

‘A gente está em um período no qual essas surpresas, intempéries, mudanças no clima e no tempo têm ocorrido em uma concentração muito grande, estamos passando pelo quarto choque de oferta ​em menos de seis anos’, disse.

‘Os bancos centrais são desenhados para ter como objetivo uma meta ​de inflação, e as pessoas convivem com o nível de preços. Após quatro choques, isso vem produzindo uma dissonância que coloca os bancos centrais em uma situação especialmente difícil.’

Quando atua na política monetária elevando ‌o nível dos juros básicos da ​economia, o BC gera um encarecimento do crédito, o que tende a arrefecer a atividade econômica por meio de uma redução do ⁠consumo, um efeito ​mais direto sobre ​a demanda. Portanto, choques de oferta, como a disparada do preço do ⁠petróleo com a guerra ​no Irã, produzem desafio distinto.

Na apresentação, Galípolo afirmou que o BC não irá se desviar de seu objetivo central de ​controlar a inflação, que tem no Brasil uma meta contínua de 3%.

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A autoridade monetária vem ​promovendo cortes graduais ⁠da taxa Selic, que está no momento em 14,50% ao ano, no ⁠que tem chamado de ‘calibração’. O BC tem alertado que pretende encerrar o ciclo com os juros ainda em nível restritivo, citando também a elevação de incertezas diante do conflito no Oriente Médio.