Galípolo: BC não deu sinal sobre o que fará no futuro e seguirá dependente de dados

Em sua primeira fala pública após a decisão do Copom deste mês, presidente do BC disse que qualquer pessoa pode fazer comentários sobre o nível de juros no país

Reuters

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo, participa de uma entrevista coletiva na sede do Banco Central do Brasil em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2025. REUTERS/Adriano Machado
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galipolo, participa de uma entrevista coletiva na sede do Banco Central do Brasil em Brasília, Brasil, em 27 de março de 2025. REUTERS/Adriano Machado

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(Reuters) – O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse nesta quarta-feira que a autarquia não apresentou em suas comunicações recentes nenhum sinal sobre o que fará com a taxa de juros no futuro, enfatizando que a política monetária seguirá dependente de dados.

Em sua primeira fala pública após a decisão deste mês, Galípolo disse que qualquer pessoa pode fazer comentários sobre o nível de juros no país, mas ponderou que o comando legal é muito claro ao definir uma meta explícita de inflação de 3%, alvo que será perseguido pelo BC.

“Todo mundo pode fazer a aposta que quiser, mas a gente vai continuar dizendo e fazendo as nossas reações de maneira bem clara, de que não há qualquer tipo de tergiversação sobre o que é o nosso mandato, que é perseguir a meta”, disse, durante entrevista coletiva em São Paulo.

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“Se por acaso você entendeu que alguma questão da nossa comunicação foi um sinal sobre que o Banco Central pode vir a fazer no futuro, você entendeu errado.”

O presidente do BC argumentou que ambientes de elevada incerteza, como o atual, demandam da política monetária uma postura dependente de dados, estratégia que, para ele, tem funcionado.

Na semana passada, o BC manteve a Selic em 15% ao ano e pregou a manutenção desse nível por período longo para atingir a meta sem apresentar sinalização sobre cortes à frente, contrariando pressões vindas de autoridades do governo, como o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

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“(Haddad) é um querido amigo e tem todo o direito de fazer qualquer tipo de comentário. E no final do dia a gente aqui recebe este comando legal do Conselho Monetário Nacional para que a gente persiga uma meta de 3%… A gente aqui respeita aquilo que é o nosso comando legal”, disse.

Para ele, “todo mundo pode brigar com o BC, mas o BC não pode brigar com os dados”.

Na entrevista, Galípolo afirmou que opiniões de mercado e dados vêm mostrando que a política monetária vem fazendo efeito, ainda que de maneira lenta e gradual.

Ele disse que tem observado uma diminuição de riscos relacionados a um ceticismo sobre se a política de juros conseguiria levar a inflação à meta de 3% e gerar uma desaceleração do crescimento.

O presidente do BC ainda voltou a dizer que a desancoragem das expectativas de mercado para a inflação é fator de preocupação para a diretoria da autarquia, argumentando que por esse motivo a autoridade monetária tem se mantido vigilante.