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O otimismo do mercado financeiro com a economia brasileira evaporou na última semana, às vésperas de mais uma decisão do Comitê de Política Monetária (Copom). Atualmente, 95% dos gestores possuem uma visão negativa para a economia local, o maior patamar da série histórica, e nenhuma gestora projeta uma perspectiva positiva.
Isso levou a uma reversão no posicionamento das gestoras de investimento. Se, em abril, o “Kit Brasil” – que aposta em alta da bolsa, queda do dólar e redução de juros – se consolidava entre elas, agora o cenário é o oposto. A migração para o dólar, que começou em junho, se consolida agora com o pessimismo recorde.
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Os dados são da pesquisa pré-Copom da XP feita entre os dias 26 e 30 de outubro com 20 gestoras de fundos multimercados macro. O período se refere à semana após a eleição, que foi definida no domingo (25). A definição sobre os juros do país acontece nesta quarta-feira (4).
“O movimento construído após o primeiro turno foi devolvido em um único pregão: em 26/10, o Ibovespa recuou 13,9%, o dólar avançou cerca de 8% e a curva de juros abriu mais de 250 pontos-base. Diante desse novo patamar de preços, os gestores reduziram de forma relevante suas exposições ao kit Brasil”, aponta a XP, em documento assinado pelos analistas de fundos Clara Sodré, Luiz Felippo, Pedro Frota e José Pini.
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Juros: apostas em pausa da Selic
O consenso anterior do mercado sobre o afrouxamento da Selic se desfez. Atualmente, 75% dos gestores projetam a manutenção dos juros no patamar atual, de 13,75%, enquanto 25% ainda espera um corte de 25 pontos-base. Nenhuma gestora projeta alta de juros na reunião.
A Selic terminal passou a ser projetada em 13,04%, refletindo a redução na convicção sobre a extensão do ciclo de cortes.
No exterior, o Federal Reserve manteve as taxas americanas entre 3,75% e 4%, e 70% dos gestores ainda enxergam potencial de alta para os juros nos Estados Unidos.
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Câmbio: dólar como instrumento de proteção
Em meio ao pessimismo, o mercado de moedas registrou uma das maiores viradas de humor da pesquisa. Em setembro, 64% dos gestores estavam vendidos em dólar. No cenário atual, 70% estão comprados na moeda norte-americana e apenas 30% mantêm posições vendidas.
Nas posições referentes ao real, o movimento foi simétrico: as apostas compradas despencaram de 75% para 21%, enquanto as vendidas saltaram de 25% para 79%. O relatório destaca que o câmbio, historicamente um “dos principais vetores de expressão do kit Brasil”, passou a funcionar como instrumento de proteção para as perdas neste período.

Bolsa: posições vendidas superam compradas pela primeira vez no ano
O otimismo com o mercado acionário local perdeu força. O percentual de gestores comprados em ações brasileiras recuou de 70%, em setembro, para apenas 25%.
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Ao mesmo tempo, 30% das gestoras adotaram posições direcionais negativas.
Esta é a primeira vez no ano em que as posições vendidas superam as compradas na bolsa local.
Já no cenário offshore, as posições compradas em ações dos Estados Unidos recuaram levemente, de 50% para 45%.
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Piora no PIB e salto na inflação
O pessimismo generalizado deteriorou as projeções macroeconômicas para o Brasil. Nenhuma gestora consultada aponta hoje uma visão positiva para a economia do país, ante 20% registrados na leitura anterior.
A piora nas expectativas elevou a projeção de inflação (IPCA) para 2026 de 4,97% para 5,24%.
Em contrapartida, a perspectiva de avanço para o Produto Interno Bruto (PIB) recuou de 1,78% para 1,68%.
Sobre a economia global, a leitura dominante segue neutra, apontada por 65% dos entrevistados.
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Multimercados: volatilidade de curto prazo e foco estrutural
O “trade eleitoral” trouxe intensa volatilidade no curto prazo, transformando o risco Brasil em um detrator de performance. Contudo, a pesquisa reforça a defesa da flexibilidade dessas carteiras frente a abalos de mercado.
Em 26 de outubro, enquanto o Ibovespa desabou 13,9%, o Índice de Hedge Funds Anbima (IHFA) limitou suas perdas, recuando 3,9%.
A XP argumenta que ajustes rápidos são inerentes à classe e reforça que “o horizonte mínimo de avaliação dessas estratégias permanece superior a 36 meses”, mantendo os fundos multimercados como uma ferramenta essencial “de diversificação e gestão ativa de risco dentro da carteira dos investidores”.