Estados Unidos

Alta mais rápida de juros e redução do balanço patrimonial do Fed podem ser necessárias, mostra ata do Fomc

A ata da última reunião do Fomc foi divulgada nesta quarta-feira (5)

Por  Equipe InfoMoney -

Em meio às maiores pressões sobre a inflação e o fortalecimento do mercado de trabalho, os integrantes do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) apontaram que pode ser preciso não apenas elevar as taxas de juros antes do esperado, mas também reduzir a carteira geral de ativos do balanço do banco central americano, mostrou a ata da reunião de política monetária de 14 a 15 dezembro, divulgada nesta quarta-feira (5).

“Os participantes em geral observaram… que pode ser necessário aumentar a taxa ‘federal funds’ mais cedo ou em um ritmo mais rápido do que os participantes haviam previsto anteriormente. Alguns também destacaram que poderia ser apropriado começar a reduzir o tamanho do balanço do Federal Reserve relativamente logo depois do começo do aumento da taxa” de juros, apontou.

Assim, o documento trouxe mais detalhes sobre a mudança do Fed para uma política monetária mais dura contra a inflação. Em sua última reunião, a autoridade monetária sinalizou que acelerará o processo de redução de suas compras de títulos e apontou que promoverá três aumentos de 0,25 ponto percentual nos custos dos empréstimos em 2022.

A ata mostrou que não houve só o debate sobre a alta inicial dos juros, atualmente entre 0% e 0,25%, mas também tratando sobre a redução patrimonial do balanço, permitindo que suas alocações em Treasuries e títulos lastreados em hipotecas diminuíssem.

Os integrantes do Comitê avaliaram que os riscos para a inflação foram direcionados para o lado positivo. Vários deles discutiram o perigo de que altos níveis recentes de inflação poderiam aumentar as expectativas de elevação de preços de longo prazo para níveis superiores ao da meta do Comitê de política monetária.

A incidência da variante ômicron do coronavírus também foi destacada. Muitos apontaram que a emergência da variante tornou as perspectivas econômicas mais incertas, mas também houve observações de que a variante não alterou fundamentalmente o caminho de recuperação econômica dos EUA.

A reunião de dezembro foi realizada quando a contagem de casos de coronavírus começou a subir devido à disseminação da variante Ômicron. As infecções subiram muito rapidamente desde então. Porém, não houve comentários de autoridades do alto escalão do Fed que indicassem se a mudança na situação de saúde alterou seus pontos de vista sobre a política monetária apropriada.

Jerome Powell, presidente do Fed, comparecerá ao Comitê Bancário do Senado na próxima semana para uma audiência sobre sua nomeação para um segundo mandato de quatro anos como chefe do banco central, e há a expectativa de que atualize suas opiniões sobre a economia na ocasião.

João Leal, economista da Rio Bravo, destaca que houve uma discussão mais intensa sobre a possibilidade de antecipar a alta dos juros, trazendo uma indicação ou dando força à tese de que o juro americano já comece a subir ainda em março deste ano e não em junho, como o mercado vinha precificando anteriormente.

Houve outros pontos relevantes, como endereçamento de algumas particularidades da inflação, de onde o Fed está observando as pressões inflacionárias e as principais preocupações do Fed com relação à inflação.

“A principal preocupação do Fed foi em relação ao supply chain (cadeia de suprimentos), que na visão dele ainda vai demorar um tempo para se normalizar, dando uma perspectiva de uma inflação um pouco mais persistente do que se tinha anteriormente”.

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