Decisão do Fomc

Fed acelera retirada de estímulos a US$ 30 bilhões por mês a partir de janeiro; vê três altas de juros em 2022

Decisão ocorre após BC americano ter dado o pontapé inicial para a diminuição da compra de ativos no último encontro, em novembro

Por  Equipe InfoMoney -

O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, anunciou após reunião do seu comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) desta quarta-feira (15) que irá acelerar a redução do volume de compra de ativos, conhecido como tapering, em US$ 30 bilhões por mês, após ter dado o pontapé inicial para a diminuição da compra de ativos no último encontro.

Na reunião passada, no início de novembro, o Fed anunciou que iria começar a reduzir o seu programa de compras mensais em US$ 15 bilhões; até então, a compra de ativos era da ordem de US$ 120 bilhões por mês, sendo US$ 80 bilhões em títulos do Tesouro (treasuries) e US$ 40 bilhões em títulos atrelados a hipotecas.

Já a taxa de juros foi mantida entre 0% e 0,25% mas, depois que o programa de compra de títulos for encerrado, provavelmente em março, o BC americano pode começar a aumentar as taxas de juros.

A mediana das projeções divulgadas na quarta-feira indicam que as autoridades do Fed preveem até três aumentos nas taxas em 2022, mais duas em 2023 e mais duas em 2024.

Esses eventuais aumentos, disse o Fed, agora dependeriam exclusivamente da trajetória do mercado de trabalho.

“Com a inflação ultrapassando 2% por algum tempo, o Comitê acredita que será apropriado manter” as atuais taxas de juros próximas de zero até que os mercados de trabalho voltem ao pleno emprego, disse o Fed em comunicado que começou a definir mais detalhadamente a “normalização” da política monetária do banco central após quase dois anos de esforços extraordinários para cuidar da economia em meio às consequências da pandemia.

Isso ainda está em andamento, com a nova variante do coronavírus, a Ômicron, aumentando a incerteza sobre o curso da economia.

Em novas projeções econômicas divulgadas após o término da reunião de política monetária de dois dias, as autoridades previram que a inflação ficará em 2,6% no próximo ano, em comparação com a taxa de 2,2% projetada em setembro. Além disso, a taxa de desemprego cairia para 3,5%. Já o crescimento econômico deve ser de 4,0% no próximo ano, acima da taxa de 3,8% projetada em setembro.

Taxa de juros

Como resultado, a mediana das projeções dos integrantes do Fed mostra que a taxa de juros de um dia de referência do Fed precisaria ser elevada de seu nível atual, próximo de zero, para 0,90% até o fim de 2022, com aumentos contínuos em 2023 (para 1,6%) e 2024 (para 2,1%) para levar a inflação de volta à meta de 2% do banco central.

Os movimentos do Federal Open Market Committee, aprovados por unanimidade, representam um ajuste substancial à política que tem sido a mais flexível em seus 108 anos de história.

O comunicado pós-reunião notou o impacto da inflação.

“Os desequilíbrios de oferta e demanda relacionados à pandemia e à reabertura da economia continuaram a contribuir para níveis elevados de inflação”, afirma o comunicado. O comunicado também observou que “os ganhos no mercado de trabalho têm sido sólidos nos últimos meses, e a taxa de desemprego diminuiu substancialmente. ”

A reunião desta quarta, por sinal, foi a primeira desde que Jerome Powell, chairman da autoridade monetária, afirmou que o aumento da inflação pode não ser temporário e que o banco central americano pode tomar medidas mais tempestivas, o que fez também o mercado esperar uma sinalização de aumento de taxas de juros no ano que vem.

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