Charles Robertson

Estrategista diz que inflação desaparecerá em alguns emergentes (incluindo no Brasil)

“A história da inflação desacelerou enormemente nos últimos 25 anos. Cada vez que temos uma nova crise, ela desaparece em algum lugar"

Preços de alimentos na feira
(John Lambeth/Pexels)

(Bloomberg) — Enquanto os mercados precificam a aceleração da inflação no mundo em desenvolvimento, um estrategista veterano diz que isso deve se tornar um conceito do passado para alguns países.

Charles Robertson, economista-chefe global da Renaissance Capital, projeta avanço da inflação até o segundo trimestre de 2021 na África do Sul, Brasil e Rússia, com desaceleração nos anos seguintes.

Mesmo no México, onde a última leitura dos índices de preços ao consumidor ficou acima do limite superior do intervalo da meta do banco central, o aumento não será mais do que “algo passageiro” estimulado por instabilidades nos preços dos alimentos, disse o economista que trabalha em Londres.

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É por isso que Robertson recomenda que clientes comprem títulos em algumas das moedas com pior desempenho do mundo: o rand da África do Sul, o real e o rublo da Rússia, todas com baixa de mais de 10% em relação ao dólar neste ano.

“Eles estão precificando a inflação que chegará ao país nos próximos cinco a 10 anos”, disse. “Isso significa que, se você conseguir obter rendimentos de títulos em moeda local de 10 anos a 1% – digamos que a inflação será de 1% ou 2% nos próximos 10 anos -, terá retornos enormes.”

À medida que países em desenvolvimento implementam medidas de estímulo para resistir à pandemia, o spread entre títulos nominais e títulos indexados à inflação aumenta, sinalizando preocupação de investidores com choques inflacionários. O chamado “breakeven” de 10 anos da África do Sul subiu 42 pontos-base nos últimos três meses, enquanto o do Brasil avançou 68 pontos-base.

Robertson apostou com precisão nos títulos romenos, no final da década de 1990, e no rand da África do Sul, em 2016. Ele comparou a situação no Brasil, Rússia, África do Sul e México com o que alguns países asiáticos e da Europa Central fizeram após a crise financeira global. Embora a República Tcheca, a Coreia e Taiwan mantenham os juros baixos, por exemplo, isso não gerou um “boom inflacionário”.

“Quando falava sobre isso há 20 anos, havia vários países onde a inflação estava acima de 10%”, disse. “A história da inflação desacelerou enormemente nos últimos 25 anos. Cada vez que temos uma nova crise, ela desaparece em algum lugar.”

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