Escalada no Oriente Médio eleva petróleo, mas inflação menor reduz temor com juros

Choque geopolítico piora o cenário para energia, mas a desaceleração da inflação nos EUA impede uma deterioração mais forte dos ativos

Felipe Moreira

(Giovanna Sutto/Imagem criada com auxílio de IA Copilot)
(Giovanna Sutto/Imagem criada com auxílio de IA Copilot)

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A nova escalada das tensões no Oriente Médio voltou a pressionar os preços do petróleo, aumentando os riscos para a economia global.

Ainda assim, a melhora do cenário inflacionário, especialmente nos Estados Unidos, tem reduzido os temores de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) e ajudado a limitar uma deterioração mais intensa do sentimento dos investidores, segundo relatório assinado por Jan Hatzius, analista do Goldman Sachs.

Para o banco, o principal risco de curto prazo continua sendo o mercado de energia. Embora a instituição mantenha suas projeções de Brent em US$ 80 por barril no fim de 2026 e US$ 75 em 2027, novos ataques a petroleiros ou à infraestrutura do Oriente Médio poderiam levar a commodity novamente para a faixa acima de US$ 100 por barril.

Por outro lado, o Goldman destaca que as notícias sobre inflação têm sido mais favoráveis. O banco estima que o núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE), principal medida de inflação acompanhada pelo Fed, tenha mostrado um comportamento benigno em junho, reforçando a expectativa de desaceleração gradual da inflação nos próximos anos.

Segundo os economistas, a inflação subjacente americana deve se aproximar de 2% em 2027, impulsionada pela menor contribuição dos preços de energia, de softwares e dos efeitos das tarifas comerciais.

Nesse contexto, o Goldman Sachs afirma que a melhora do quadro inflacionário praticamente eliminou as chances de uma alta de juros na próxima reunião do Fed, marcada para os dias 28 e 29 de julho. Embora novas elevações não estejam totalmente descartadas, elas exigiriam um cenário de inflação significativamente mais forte ou um mercado de trabalho mais aquecido do que o esperado atualmente.

Além disso, os dados mais recentes sugerem uma moderação gradual da atividade nos Estados Unidos. O Goldman estima que a economia americana tenha crescido a um ritmo próximo de 2,25% no primeiro semestre, mas espera uma desaceleração no restante do ano, diante do enfraquecimento da renda disponível das famílias e dos riscos associados a uma eventual perda de força do ciclo de investimentos em inteligência artificial.

Na avaliação do banco, o ambiente global segue marcado por forças opostas. De um lado, estão a renovação dos riscos geopolíticos e a possibilidade de um novo choque nos preços do petróleo. De outro, aparecem uma inflação mais comportada e a perspectiva de condições monetárias menos restritivas. Esse equilíbrio entre o risco energético e a desinflação deve continuar sendo o principal vetor para os mercados globais nos próximos meses.