Envelhecimento da população é “bomba-relógio” para crescimento do PIB, diz relatório

Estudo anual do Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento destaca que a queda na população em idade ativa já prejudicam o crescimento econômico

Reuters

Idosos chegam ao Jardin des Tuileries em Paris
02/09/2019. REUTERS/Benoit Tessier
Idosos chegam ao Jardin des Tuileries em Paris 02/09/2019. REUTERS/Benoit Tessier

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Os países devem agir agora para evitar que a desaceleração do crescimento populacional cause estragos em suas perspectivas econômicas de longo prazo, afirmou o Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento em um relatório anual nesta terça-feira (25).

O relatório afirma que o envelhecimento da população já começou a prejudicar o crescimento econômico em algumas nações – e que, na Europa emergente, a queda na proporção de pessoas em idade ativa deverá reduzir a expansão anual do PIB per capita em uma média de quase 0,4 ponto percentual por ano entre 2024 e 2050.

‘Já hoje, a demografia está corroendo o crescimento dos padrões de vida e será um obstáculo para o crescimento do PIB no futuro’, disse à Reuters a economista-chefe do banco, Beata Javorcik.

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Segundo ela, os países pós-comunistas ‘estão envelhecendo antes de enriquecer’, com idade média de 37 anos no momento em que o PIB médio per capita atinge US$ 10 mil. Esse foi um quarto do valor registrado quando a idade média atingiu esse nível nas economias avançadas na década de 1990.

O relatório apontou uma série de fatores que impulsionam a queda na taxa de natalidade, desde mudanças nas normas sociais até a redução dos ganhos na carreira das mulheres por terem um bebê.

Mas, embora quase todas as nações do banco de desenvolvimento tenham pelo menos alguns incentivos para aumentar a taxa de natalidade, Javorcik disse que essas medidas não produziram uma mudança significativa e sustentada em nenhum país.

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A migração no nível necessário para neutralizar a queda de nascimentos não é politicamente palatável na maioria dos lugares, segundo o relatório, e a maioria dos cidadãos é ‘ambivalente’ em relação ao aumento do uso de IA para melhorar a produtividade.

A maior alavanca, segundo Javorcik, são as pessoas que trabalham por mais tempo – o que também exigiria algum retreinamento e, possivelmente, mudanças nos esquemas de aposentadoria.

‘O que precisamos é ter uma conversa adulta com os eleitores sobre a situação atual, porque as pessoas tendem a subestimar o significado das tendências demográficas’, disse ela.

‘Precisamos informar – em especial – os eleitores mais jovens, porque são eles que vão carregar o peso dos regimes de previdência por repartição’.