Projeções

Economistas esperam crescimento de 2,8% no PIB brasileiro no 4º tri, desacelerando retomada que deve ser fraca em 2021

Auxílio emergencial é apontado como principal fator para a melhora no desempenho da atividade, mas desafios estão no radar

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SÃO PAULO – Após um crescimento forte de 7,7% no terceiro trimestre, período imediatamente posterior ao tombo do segundo trimestre (-9,7%) por conta do auge das medidas de restrições tomadas na pandemia do coronavírus, os economistas esperam que o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresça 2,8% no quarto trimestre de 2020 na comparação com os três meses anteriores, de acordo com projeções compiladas pela Refinitiv.

Na base anual, por sua vez, a mediana das expectativas é de queda de 1,5% na atividade econômica.

Os economistas do Morgan Stanley, projetam uma expansão de 2,7% no PIB do Brasil nos últimos três meses de 2020, algo que creditam ao auxílio emergencial, que impulsionou o consumo e o investimento das famílias brasileiras.

Na mesma linha, Fábio Silveira, sócio-diretor da MacroSector Consultores, também prevê que o PIB vá crescer 2,7% no quarto trimestre de 2020 em relação ao mesmo período de 2019. No acumulado do ano, o economista espera uma retração de 4,5% na atividade econômica brasileira.

“Saímos relativamente bem da tragédia anunciada, uma vez que muitos esperavam uma retração de 7% em março, mas essa melhora foi graças à injeção de recursos do auxílio emergencial”, defende.

Do lado da oferta, Silveira vê a agropecuária mais uma vez como o setor de maior dinamismo na economia, crescendo 2,5% no ano de 2020 em relação a 2019, puxada pelas vendas de soja, milho, carne e cana-de-açúcar.

“O cenário foi benigno para o agronegócio por conta dos preços mais elevados das commodities e pela taxa de câmbio com real depreciado, o que barateia os nossos produtos para os estrangeiros”, explica.

Indústria e serviços, por outro lado, devem ter sofrido retrações, de acordo com o economista. Silveira espera quedas de 4% na indústria em 2020 contra 2019 e de 4,9% nos serviços na mesma base de comparação, conforme as projeções da MacroSector.

A equipe de análise do Credit Suisse, por sua vez, acredita que o PIB irá crescer 2,8% na comparação trimestral e se contrair em 1,6% na anual, o que resultaria em uma queda de 4,2% na atividade econômica no ano.

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Do lado da oferta, o banco espera maior crescimento na indústria e nos serviços no quarto trimestre em relação ao terceiro, ao passo que a contração será espalhada amplamente por todos os setores na análise do ano como um todo.

Já do lado da demanda, a expectativa é de continuidade na mitigação na queda anual do consumo e dos investimentos que começou no terceiro trimestre.

Por fim, para a equipe do UBS, o PIB crescerá 3,2% no quarto trimestre de 2020 em comparação com o terceiro, de modo que a economia brasileira ficaria 0,9% menor do que no quarto trimestre de 2019.

2021 mais fraco que o segundo semestre de 2020

Para este ano, Silveira enxerga uma desaceleração maior da retomada econômica e prevê que o PIB avance 2,5% no acumulado de 2021. Entretanto, ele não projeta ainda como alguns economistas uma nova recessão no primeiro trimestre, em especial por causa do contingente de população ocupada, que cresceu no segundo semestre do ano passado.

“No início de 2020 havia 94 milhões de pessoas trabalhando no Brasil, número que despencou para 82 milhões entre março e abril devido à crise do coronavírus. Em agosto, esse volume subiu para 84 milhões, e em novembro chegou a 85,5 milhões. Esse adicional de 3,5 milhões desde meados de 2020 vai fazer a diferença no sentido de deixar a economia rodando em nível equivalente pelo menos ao do final do ano passado”, prevê.

A projeção está alinhada com um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) com base nas projeções do Fundo Monetário Internacional (FMI), atualizadas em janeiro.

Para a instituição, a retomada de 2021 não recuperará totalmente o tombo de 2020 e o somatório dos dois anos deve resultar em retração média de 0,5% ao ano.

Segundo os economistas da FGV, o controle da pandemia, a vacinação e a prorrogação de estímulos para mitigar a crise dão o tom das diferenças entre a retomada de cada país, motivo por que o Brasil teria uma recuperação econômica abaixo dos pares latino-americanos e dos Estados Unidos.

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“Sem a vacina não tem jogo, vamos estar atrasados em relação aos demais países do mundo. Não tem vacina em quantidade necessária para imunizar 70% da população e alcançar a imunidade por rebanho. O crescimento da economia este ano pode ser menor que o esperado”, disse à Agência Estado Claudio Considera, coordenador do Núcleo de Contas Nacionais do Ibre/FGV.

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