Desacordos

Doria diz que política não pode interferir em vacina e pede compreensão de Bolsonaro

O governador disse ter posição favorável a todas as vacinas que obtiverem aprovação da Anvisa, não apenas à produzida pelo instituto de São Paulo

(Sérgio Andrade/Governo do Estado de São Paulo)
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BRASÍLIA (Reuters) – O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou nesta quarta-feira que questões políticas, ideológicas ou eleitorais não podem interferir no processo de imunização dos brasileiros contra a Covid-19 e aproveitou para pedir “compreensão” e “sentimento humanitário” ao presidente Jair Bolsonaro.

Ao lado de outros governadores, Doria participou na véspera de reunião com o Ministério da Saúde em que ficou definida a inclusão da vacina chinesa da Sinovac, em desenvolvimento que conta com a participação do Instituto Butantan, do governo do Estado de São Paulo, no Programa Nacional de Imunização.

Na manhã desta quarta, no entanto, em resposta a apoiadores em uma rede social e posteriormente em uma outra publicação, Bolsonaro disse que a vacina não será adquirida por seu governo, argumentando que “o povo brasileiro não será cobaia de ninguém”, apesar de o acordo anunciado na véspera prever a compra da vacina chinesa após obtenção de registro junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Bolsonaro e Dória são desafetos políticos.

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“Esta vacina (Sinovac) acabou sendo a mais avançada e classificada como a mais promissora das vacinas neste momento, na última fase de testagem aqui no Brasil”, disse Doria, após encontro com parlamentares de diversos partidos, como os senadores Izalci Lucas (PSDB-DF), líder em exercício da bancada no Senado, e do líder Randolfe Rodrigues (REDE-AP).

“A vacina do Butantan é a vacina do Brasil, é a vacina de todos os brasileiros. Nós não classificamos vacina por razões políticas, ideológicas, partidárias ou eleitorais. Vacina significa vida, existência, proteção ao povo brasileiro, esta é a nossa visão”, afirmou o governador de São Paulo.

Doria lembrou das mortes diárias decorrentes da nova doença, dos impactos econômicos e da dificuldade de retomada da atividade. Argumentou, ainda, que a “volta ao normal acontecerá com a vacina”.

O governador disse ter posição favorável a todas as vacinas que obtiverem aprovação da Anvisa, não apenas à produzida pelo instituto de São Paulo, que, aproveitou para destacar, tem 120 anos de existência, e figura como o maior produtor de vacinas da América Latina, com “respeitabilidade internacional”.

Doria também quis deixar claro que o Butantan segue rigorosamente as determinações da Anvisa, resposta indireta aos questionamentos sobre a confiabilidade da vacina a ser produzida.

“A vacina é que vai nos salvar, salvar a todos. Não é a ideologia, não é a política, não é o processo eleitoral que salva. É a vacina”, defendeu Doria, fazendo um apelo ao presidente da República e uma defesa da atitude de Pazuello.

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“Eu peço a compreensão do presidente Jair Bolsonaro e o seu sentimento humanitário para compreender que o seu ministro da Saúde agiu corretamente, agiu baseado na ciência, na saúde, na medicina e priorizando a vida dos brasileiros”, declarou o governador.

Doria lembrou ainda que Pazuello é o terceiro ministro da Saúde deste governo e avaliou não ser “razoável” que o presidente não respeite as decisões de subordinados indicados por ele mesmo para as pastas.

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