Pandemia

Dinamarca e Noruega suspendem vacina da AstraZeneca após relatos de coágulos

Medida vem depois de a Áustria parar de usar a vacina enquanto investiga uma morte provocada por coágulos e caso de embolia pulmonar

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Frasco e seringa em frente ao logo da AstraZeneca em foto de ilustração 11/01/2021 REUTERS/Dado Ruvic
Frasco e seringa em frente ao logo da AstraZeneca em foto de ilustração (REUTERS/Dado Ruvic)

COPENHAGEN (Reuters) – Autoridades de saúde da Dinamarca e da Noruega suspenderam temporariamente nesta quinta-feira o uso de vacinas contra Covid-19 da AstraZeneca depois de relatos de casos de formação de coágulos sanguíneos em pessoas que foram vacinadas.

A medida vem depois de a Áustria parar de usar um lote da vacina da AstraZeneca enquanto investiga uma morte provocada por disfunções relacionadas a coágulos e um caso de embolia pulmonar.

Autoridades de saúde dinamarquesas disseram que a decisão de suspender a aplicação da vacina por duas semanas foi tomada depois de uma mulher de 60 anos, que recebeu uma vacina do mesmo lote usado na Áustria, formar um coágulo sanguíneo e morrer.

As autoridades dinamarquesas disseram que responderam “a relatos de possíveis efeitos colaterais graves, tanto na Dinamarca, quanto em outros países europeus”.

“Não é possível concluir no momento que exista uma relação. Estamos agindo preventivamente, precisa ser amplamente investigado”, disse o ministro da Saúde, Magnus Heunicke.

Já o diretor de prevenção e controle de infecções do Instituto Norueguês de Saúde (FHI), Geir Bukholm, disse que a decisão tomada pela Noruega foi uma medida de precaução. O FHI não disse quanto tempo durará a suspensão.

“Aguardamos informações para ver se há uma relação entre a vacinação e esse caso de coágulo sanguíneo”, disse Bukholm.

Também nesta quinta, a Itália anunciou a proibição de um lote da vacina da AstraZeneca diferente do usado na Áustria.

Alguns especialistas em saúde disseram haver poucas evidências a sugerirem que a vacina da AstraZeneca não deve ser aplicada e que os casos de coágulos sanguíneos estão em linha com as taxas de casos deste tipo na população em geral.

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“Isso é uma abordagem super cautelosa baseada em alguns relatos isolados na Europa” , disse à Reuters Stephen Evans, professor de fármaco-epidemiologia na London School of Hygiene & Tropical Medicine.

“O problema com relatos espontâneos de supostas reações adversas graves a uma vacina é que há enorme dificuldade de distinguir um efeito causal de uma coincidência”, afirmou ele, acrescentando que a Covid-19 é fortemente associada à formação de coágulos.

A AstraZeneca disse em comunicado enviado à Reuters que a segurança de sua vacina foi amplamente estudada em testes com humanos e dados revisados por outros cientistas confirmaram que a vacina foi, no geral, bem tolerada.

No início desta semana, a farmacêutica disse que suas vacinas são sujeitas a controles de qualidade severos e rigorosos e que não houve “quaisquer eventos adversos graves confirmados associados com a vacina”. Ela ainda disse que está em contato com autoridades austríacas e que apoiará totalmente sua investigação.

Na quarta-feira, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) disse que até agora não há indícios ligando a AstraZeneca aos dois casos na Áustria.

Segundo a agência, o número de eventos de tromboembolismo pulmonar – marcado pela formação de coágulos sanguíneos – em pessoas que receberam a vacina da AstraZeneca não é maior do que aquele visto na população em geral, e que 22 casos do tipo foram relatados entre as três milhões de pessoas que a receberam até 9 de março.

A EMA não estava imediatamente disponível para comentar nesta quinta.

Quatro outros países –Estônia, Lituânia, Luxemburgo e Letônia– suspenderam as inoculações da mesma remessa enquanto uma investigação prossegue, disse a agência reguladora de medicamentos da União Europeia.

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A remessa de 1 milhão de doses da vacina foi para 17 países da UE.

Autoridades suecas disseram não ter encontrado evidências suficientes para parar a vacinação com o imunizante da AstraZeneca. A Suécia encontrou dois “eventos tromboembólicos” em conexão com a vacina da AstraZeneca e cerca de 10 para a vacina da Pfizer com a BioNTech.

“Não vemos razão para revisar nossa recomendação”, disse Veronica Arthurson, da Agência Sueca de Produtos Médicos, em entrevista coletiva. “Não há nada que indique que a vacina cause este tipo de coágulo sanguíneo.”

Nesta quinta, a Espanha disse que não registrou nenhum caso de coágulo sanguíneo até o momento e continuará a aplicar a vacina.

 

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