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Após subir 1,1% nos primeiros três meses do ano, o Produto Interno Bruto (PIB) avançou 0,5% no segundo trimestre, levemente acima das expectativas de mercado. No entanto, a análise dos dados mostra uma perda de tração nos setores mais sensíveis aos juros de forma mais acelerada, confirmando o que outros indicadores já sinalizavam: de que a economia está em franca desaceleração.
O PIB do segundo trimestre foi sustentado quase exclusivamente por setores como a agropecuária e a indústria extrativa mineral, menos sensíveis ao ciclo econômico porque dependem de safra e extração de petróleo e gás. Já os componentes que dependem mais de crédito e são impactados pelas altas taxas de juros tiveram quedas expressivas. O principal sinal de alerta veio da retração no consumo das famílias, acompanhada por recuos na indústria de transformação e na construção civil.
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Para Rodolfo Margato, economista da XP, os resultados desagregados do PIB foram “fracos”, e mostram “sinais de uma economia que perde tração a despeito de um mercado de trabalho ainda aquecido e de uma série de estímulos à demanda no curto prazo”. O economista ressalta que o consumo das famílias ficou “bem aquém do projetado”.
Leonardo Costa, do ASA, aponta a perda de dinamismo de setores mais suscetíveis ao crédito. “Os segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico doméstico, especialmente consumo das famílias, indústria de transformação e construção, continuam perdendo dinamismo”, explica Costa. Para ele, os indicadores já sugerem a entrada dessa fraqueza no terceiro trimestre.
Para Natalie Victal, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, “o qualitativo veio um pouco pior do que o headline sugere”.
Antônio Ricciardi, economista do Banco Daycoval, chama a atenção para o forte arrefecimento nos serviços, um setor tipicamente cíclico, que desacelerou de uma expansão de 2,1% no primeiro trimestre para 1,5% no segundo (na base interanual).
Roberto Padovani, economista-chefe do banco BV, avalia que o peso dos juros já afeta a indústria de transformação de maneira contundente. A expectativa de Padovani para os próximos meses é que o desempenho do do agro irá diminuir no terceiro trimestre, enquanto o efeito do aperto monetário continuará se espalhando pela economia.
Gustavo Rostelato, economista da Armor Capital, reforça que a queda no consumo somada a uma absorção doméstica praticamente estável evidenciam a “perda de tração da demanda interna”, pavimentando um viés de baixa para a atividade nos próximos trimestres.
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Casas revisam projeções
Diante da fraqueza nos setores da economia que mais sentem o peso dos juros, os analistas revisaram suas projeções de crescimento para o país e traçaram o que esperam para a taxa Selic.
A XP atribuiu um viés baixista à sua projeção atual de crescimento de 2% para o PIB de 2026, calculando que a economia ficará praticamente estagnada no segundo semestre. Para 2027, projeta uma alta de apenas 1%, alertando para o risco de uma dinâmica ainda mais fraca. Nos juros, a XP espera a continuidade do afrouxamento pelo Copom, projetando três cortes sucessivos de 0,25 ponto percentual, com a Selic encerrando 2026 em 13,25% e chegando a 11,5% em 2027.
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O ASA reviu a sua projeção de avanço do PIB de 2026 de 2,0% para 1,8%. O banco projeta um crescimento modesto de 0,2% para o terceiro trimestre deste ano, e uma expansão de 1,5% para o PIB de 2027.
O Banco Daycoval ajustou a estimativa para o PIB de 2026, revisando de 1,7% para 1,8% no final do ano. Contudo, alerta que projeta um crescimento no segundo semestre variando apenas entre 0,15% e 0,2%, impactado pela desaceleração contínua dos itens cíclicos.
O Banco BV trabalha com um cenário de desaceleração à frente, prevendo um crescimento reduzido de 0,2% no terceiro trimestre. Esses dados mantêm a projeção da casa para uma alta do PIB de 1,9% no acumulado do ano.
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