Divisor de águas

Crise do petróleo testa revolução de energia verde de US$ 10 trilhões

Cerca de US$ 1,2 trilhão foram investidos em energia renovável, e as vendas globais de veículos elétricos atingiram 2 milhões de unidades no ano passado

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(Bloomberg) — Em 2014, quando houve o último choque do petróleo, os governos não tinham um pacto para combater a mudança climática. No ano seguinte, os líderes assinaram o Acordo de Paris.

Desde então, investimentos verdes dispararam. Cerca de US$ 1,2 trilhão foram investidos em energia renovável, e as vendas globais de veículos elétricos atingiram 2 milhões de unidades no ano passado. A Bloomberg NEF estima que US$ 10 trilhões sejam investidos em energia limpa até 2050.

O acordo também marcou um divisor de águas cultural, com metas de emissões agora policiadas por um movimento ambiental cada vez mais forte que tem moldado a política de vários países. Em um sinal dos tempos, a ativista Greta Thunberg e o fundador da Tesla, Elon Musk, são agora duas das pessoas mais famosas do mundo.

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Então, quando nesta semana a Arábia Saudita e a Rússia entraram em uma guerra de preços que sacudiu mercados globais já abalados pelo coronavírus, parecia que os maiores produtores de petróleo reafirmavam sua supremacia no curto prazo. No entanto, a medida pode representar mais um passo em uma tendência de longo prazo para acabar com o poder do petróleo.

O preço do barril de petróleo ainda é um importante indicador econômico. Mas o impulso incansável de diminuir o uso de combustíveis fósseis sugere que o impacto geopolítico deve ser mais suave do que no passado, já que o imperativo de combater o aquecimento global entra em cena.

“O impacto do preço do petróleo no crescimento econômico geral tem se dissociado desde os anos 80”, disse Shane Tomlinson, vice-presidente executivo do think tank ambiental E3G. “Poderemos ver movimentos excepcionais no preço do petróleo nos próximos meses, mas não acho que isso mude a necessidade fundamental de abordar a mudança climática.”

A queda do petróleo de US$ 55 na semana passada para US$ 35 o barril tem implicações importantes para a abordagem das mudanças climáticas. Preços baixos incentivam mais uso de petróleo; encolhe orçamentos das petroleiras, colocando em dúvida projetos de energia limpa; e alguns governos sentem-se pressionados a apoiar petrolíferas em dificuldades. Tudo isso aumenta as emissões, o que é uma má notícia para o aquecimento global.

No entanto, se os preços baixos se mantiverem desta vez, podem surgir importantes pontos positivos no combate às mudanças climáticas.

A energia renovável é uma indústria mais madura do que há cinco anos. Ao se tornar um investimento menos arriscado, atraiu grandes investidores que têm investido muito dinheiro e construído alguns projetos que rivalizam com a capacidade das usinas convencionais. Ao mesmo tempo, a exploração de petróleo se torna menos viável economicamente, com maior risco de que mesmo projetos em andamento já não produzam bons retornos e preocupações com o aumento de ativos ociosos.

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“Agora não faz sentido reduzir o investimento em renováveis se o preço do petróleo cair”, disse Mark Lewis, chefe de sustentabilidade do BNP Paribas Asset Management. “É mais lógico reduzir o investimento em petróleo.”

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