Crescimento da China deve ter acelerado no 1º tri, mas guerra piora perspectivas

Crise do Oriente Médio ameaça sufocar lucros das empresas e minar demanda externa

Reuters

Clientes compram bolsas na loja Wankelai em Pequim, China (Foto: REUTERS/Tingshu Wang)
Clientes compram bolsas na loja Wankelai em Pequim, China (Foto: REUTERS/Tingshu Wang)

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PEQUIM, 13 Abr (Reuters) – A economia ⁠da China provavelmente recuperou algum ímpeto no primeiro ⁠trimestre devido às sólidas exportações, mas espera-se que o crescimento arrefeça ‌durante o resto de 2026, conforme a crise do Oriente Médio ameaça sufocar os lucros das empresas e minar a demanda externa, segundo uma pesquisa ‌da Reuters.

A previsão de crescimento do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre é de 4,8% em relação ao ano anterior, acelerando frente à alta de 4,5% no trimestre de outubro a dezembro, segundo pesquisa da Reuters com 50 economistas.

Espera-se que o crescimento desacelere para 4,7% no segundo trimestre, arrastando a expansão ⁠do ‌ano inteiro para 4,6% em 2026, em comparação com os 5,0% do ⁠ano passado, de acordo com a previsão mediana da pesquisa, em geral em linha com a meta oficial de 4,5% a 5,0%.

Até o momento, a China absorveu o choque econômico da guerra do Irã com perturbações limitadas, favorecida por grandes reservas de petróleo, um mix diversificado ​de energia e controles rígidos de preços. Mas economistas alertam que os preços do petróleo, persistentemente mais altos, já estão elevando os custos dos ​insumos e reduzindo os lucros em um momento em que a demanda interna continua fraca.

As exportações da China, um dos principais pilares do crescimento, poderão vacilar se o conflito se arrastar e prejudicar a economia global, acrescentaram.

‘Os preços mais altos do petróleo atingiriam a economia da China por ‌meio de um choque nos termos de troca e ​da compressão das margens do downstream’, disseram analistas do Morgan Stanley em nota.

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‘Mas, ao contrário de muitos outros países importadores líquidos de petróleo, que enfrentam interrupções na produção devido à ⁠escassez de energia e ao ​espaço restrito para ​políticas em meio à inflação elevada, a China está mais bem posicionada.’

No entanto, as tensões estão começando ⁠a aparecer. Os preços de fábrica ​da China subiram em março pela primeira vez em mais de três anos, um sinal inicial de que as pressões de custo impulsionadas pela energia estão se infiltrando ​na segunda maior economia do mundo e ameaçando as margens corporativas já reduzidas.

Espera-se que dados a serem divulgados na terça-feira mostrem ​que o crescimento das ⁠exportações da China arrefeceu em março, conforme os compradores que buscam um futuro impulsionado pela IA confrontam ⁠a dura realidade da guerra no Oriente Médio.

Em uma base trimestral, a previsão é de que a economia cresça 1,3% em janeiro-março, em comparação com o crescimento de 1,2% em outubro-dezembro, segundo a pesquisa.

O governo deve divulgar os dados do PIB do primeiro trimestre, juntamente com os dados de atividade de março, nesta ​semana.