Revisão para cima

Credit Suisse melhora projeção para PIB do Brasil em 2022, de queda de 0,5% para alta de 0,2%; banco vê Selic a 14% no final do ano

Para 2023, a projeção de crescimento do PIB de 2,1% se manteve; para o IPCA, os economistas do banco projetam avanço de 7,8% em 2022 e de 4,3% em 2023

Por  Equipe InfoMoney -

O Credit Suisse elevou as suas projeções para o PIB do Brasil em 2022, passando de queda de 0,5% para leve alta de 0,2% neste ano, enquanto manteve sua expectativa para inflação e juros.

Segundo os economistas Solange Srour, Lucas Vilela e Rafael Castilho, que assinam o relatório, o governo implementou várias medidas para estimular o crescimento econômico de curto prazo, como redução de 25% no imposto sobre produtos industrializados (IPI) e liberação de saques do FGTS no valor de 0,4% do PIB.

Para 2023, a projeção de crescimento do PIB de 2,1% (em função da expectativa de flexibilização do ciclo monetário) se manteve.

Os especialistas apontam que os indicadores econômicos dos primeiros meses do ano vieram um pouco melhores do que as suas expectativas. Com isso, revisaram a projeção para a demanda doméstica, principalmente o consumo das famílias.

Os termos de troca mais altos terão um impacto duvidoso no crescimento do PIB em 2022, afirmam, pois a inflação e as taxas de juros podem compensar as exportações mais altas. Por outro lado, a partir de 2023, os termos de troca mais elevados terão um efeito positivo no consumo, provavelmente impulsionando os investimentos e podendo melhorar as contas públicas.

Já no caso da inflação, os economistas do banco suíço projetam avanço de 7,8% em 2022 e de 4,3% em 2023, ante as metas do Banco Central do Brasil de 3,5% e 3,25%, respectivamente.

“Os choques de alimentos e combustíveis causados ​​pelo conflito ucraniano pioraram as já frágeis perspectivas para a inflação no Brasil, que estava sendo pressionada pela inércia, custos de insumos (por exemplo, eletricidade) e preços congelados durante a pandemia (por exemplo, cursos educacionais e planos de saúde)”, apontam os economistas.

As expectativas de inflação tanto no curto quanto no médio prazo aumentaram fortemente nos últimos meses, uma vez que a inflação continua surpreendendo para cima. Neste sentido, os economistas assumem que a taxa de juros aumentará 100 pontos-base em maio, 75 pontos-base em junho e 50 pontos-base em agosto, para 14%, mantendo-a nesse patamar até o fim do ano.

Os economistas acreditam que o Banco Central precisará continuar aumentando os juros depois de maio, pois os modelos apontam para taxas mais altas sendo necessárias para reduzir as expectativas de inflação frente as metas de 2023 e 2024. “Na última reunião [do Copom], a autoridade monetária indicou fortemente que uma última alta de 100 pontos-base em maio (para 12,75%)  é suficiente para reduzir a inflação para a meta em 2023, mas acreditamos que provavelmente precisará revisar suas projeções de inflação, já que ela provavelmente continuará surpreendendo para cima, afastando ainda mais as expectativas da meta”, avaliam.

Ainda no radar, a eleição presidencial será destaque nos próximos meses. De agora em diante, avaliam, as pesquisas provavelmente se tornarão um previsor mais confiável para a disputa a ser realizada em outubro, com os potenciais candidatos começando a fazer campanha, a porcentagem de eleitores indecisos devendo diminuir e coalizões políticas nos estados sendo formadas.

Atualmente, as pesquisas presidenciais mostram uma polarização da disputa entre o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula.

Segundo os economistas, é improvável que os principais concorrentes forneçam uma visão clara sobre sua equipe econômica e política econômica até o segundo turno.

Apesar disso, acreditam que os principais candidatos vão pressionar pelos principais reformas econômicas no primeiro ano da nova administração, especialmente o processo de consolidação fiscal.

Sem melhora no saldo primário e um redesenho do quadro fiscal – para reancorar as expectativas dos agentes econômicos sobre a sustentabilidade das contas públicas e redução de juros, a economia provavelmente terá um desempenho ruim, reduzindo o índices de aprovação do presidente e sua governabilidade, aponta o Credit. O que pode ser tirado de bom neste contexto, segundo o banco, é que os principais candidatos presidenciais entendem a importância dessas reformas. Além disso, as gestões anteriores conseguiram a aprovação do Congresso para reformas impopulares em seu primeiro ano.

XP também revisa projeções

Na véspera, a XP também revisou as suas projeções para alguns parâmetros da economia brasileira.

A casa elevou suas estimativas de inflação para este ano e o próximo, embora tenha melhorado seu prognóstico para a taxa de câmbio ao fim de 2022, com o impacto da guerra na Ucrânia devendo pesar no bolso do consumidor.

Agora, a instituição financeira espera que o IPCA suba 7,0% em 2022 e 4,0% em 2023, contra taxas de 6,2% e 3,8%, respectivamente, previstas em cenário anterior.

“A mudança é resultado da incorporação tanto de resultados correntes mais fortes do que projetávamos, como também de um balanço de riscos pior para frente”, afirmou a XP em relatório assinado por economistas, estrategistas e analistas, entre eles Caio Megale, economista-chefe.

A XP citou “impactos mais persistentes da guerra” na Ucrânia e afirmou que os preços de alimentação e combustíveis estão turbinando a inflação corrente.

“Por outro lado, a taxa de câmbio mais apreciada ajudará a conter a inflação no ano”, ponderou a XP, que revisou sua projeção para o patamar do dólar ao fim de 2022 a R$ 5, contra R$ 5,20 previstos anteriormente. Para o encerramento de 2023, foi mantida estimativa de que a moeda norte-americana ficará em R$ 5,30.

Por trás da recente desvalorização do dólar –que acumula baixa de 15% no ano frente ao real, cujo desempenho no período é o melhor do mundo–, a XP apontou a elevação nos preços das commodities, a baixa vulnerabilidade da América Latina ao conflito na Ucrânia e o fato de o Banco Central ter começado a subir os juros mais cedo e em ritmo mais acelerado do que seus pares, tornando a renda fixa local mais atrativa.

“Mas há riscos adiante que tendem a reverter parcialmente o movimento” de depreciação da moeda norte-americana, alertou a instituição financeira. “Se a guerra na Ucrânia caminhar para uma solução, não esperamos altas adicionais nos preços de commodities. Da mesma forma, a reabertura das economias do leste europeu tende a gerar saídas de recursos hoje alocados na América Latina.”

Além disso, o relatório citou a normalização das políticas monetárias de países desenvolvidos e outras nações emergentes, bem como incertezas eleitorais domésticas, como possíveis fatores de suporte para o dólar ante o real.

Para a taxa Selic, a XP manteve projeção de que os juros chegarão a 12,75% ao fim do ciclo de aperto monetário do BC.

Também permaneceram inalterados os prognósticos de crescimento econômico para este ano e o próximo. “Mantemos a projeção de taxa de variação nula para o PIB de 2022, mas atribuímos viés de alta. Para o PIB de 2023, continuamos a prever crescimento de 1,2%, considerando a dissipação dos choques da pandemia e da guerra no leste europeu”, disse a XP.

(com Reuters)

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