Desafio cresce

Coronavírus poderia voltar todos os anos, dizem especialistas

Motivo é a infecção sem sintomas óbvios, que inviabiliza o isolamento total

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Enfermeiros preparam o Hospital de Verduno, na Itália, para receber os pacientes infectados com o coronavírus (covid-19)
(MARCO ALPOZZI/DIA ESPORTIVO/ESTADÃO CONTEÚDO)
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(Bloomberg) — Cientistas chineses dizem que o novo coronavírus não será erradicado, o que reforça o consenso no mundo todo de que o patógeno deve retornar em ondas, como a gripe. É improvável que o novo vírus desapareça como seu primo SARS há 17 anos, já que infecta algumas pessoas sem causar sintomas óbvios, como febre.

Esse grupo de supostos portadores assintomáticos dificulta conter a transmissão completamente, pois essas pessoas podem espalhar o vírus sem serem detectadas, disse um grupo de virologistas e médicos chineses a repórteres em Pequim na segunda-feira.

Com a SARS, os infectados ficavam gravemente doentes. Quando esses pacientes eram submetidos a quarentenas, o vírus deixava de se propagar.

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No caso da atual pandemia, a China ainda encontra dezenas de casos assintomáticos do coronavírus todos os dias, apesar de ter controlado a epidemia. “É muito provável que se trate de uma epidemia que coexista com seres humanos por um longo tempo, se torne sazonal e se mantenha nos corpos humanos”, disse Jin Qi, que dirige o Instituto de Biologia de Patógenos do principal instituto de pesquisa médica da China.

Principais pesquisadores e governos do mundo todo estão chegando ao consenso de que é improvável que o vírus seja eliminado, apesar das custosas medidas de confinamento que paralisaram grande parte da economia global. Alguns especialistas em saúde pública pedem que o vírus se espalhe de maneira controlada por populações mais jovens como a Índia, enquanto países como Suécia optaram por não adotar confinamentos rígidos.

Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA, disse no mês passado que o Covid-19 pode se tornar uma doença sazonal. Ele citou como evidência os casos em países do hemisfério sul, que se aproximam do inverno.

Mais de 3 milhões de pessoas ficaram doentes e mais de 210 mil morreram durante a pandemia.

Algumas pessoas, como o presidente dos EUA, Donald Trump, mostraram esperança de que a propagação do vírus diminuirá com o aumento das temperaturas no verão do hemisfério norte, mas especialistas chineses disseram na segunda-feira que não encontraram evidências disso.“O vírus é sensível ao calor, mas quando é exposto a 56 graus Celsius por 30 minutos, e a temperatura nunca vai subir tanto”, disse Wang Guiqiang, chefe do departamento de doenças infecciosas do Peking University First Hospital. “Portanto, globalmente, mesmo durante o verão a chance de queda significativa dos casos é pequena.”

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