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Coronavírus coloca em risco promessas da China em acordo com EUA

Acordo diz que os dois farão uma avaliação “no caso de um desastre natural ou outro evento imprevisível” impedir o cumprimento do acordo no prazo

Bandeiras da China e dos EUA (Crédito: Shutterstock)
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(Bloomberg) — As promessas da China na fase 1 do acordo comercial, de aumentar as compras dos Estados Unidos e que especialistas já consideravam irrealistas, serão ainda mais difíceis de cumprir com o surto do novo vírus, que afeta a demanda e interfere nas cadeias de suprimentos.

No primeiro ano do acordo, que entra em vigor em meados de fevereiro, a China se comprometeu em comprar US$ 76,7 bilhões em produtos dos EUA, além do que comprou em 2017, e US$ 123,3 bilhões no segundo ano. O acordo, assinado há pouco mais de duas semanas, marcou um alívio das tensões entre as duas maiores economias do mundo que dominaram a guerra comercial.

Com a propagação do novo coronavírus, a atenção se concentra em uma parte do acordo segundo a qual os EUA e a China farão uma avaliação “no caso de um desastre natural ou outro evento imprevisível” impedir qualquer país de cumprir o acordo no prazo.

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“Obviamente, haverá algumas ramificações em toda a economia, que esperamos não inibirão a meta de compra que temos para este ano”, disse o secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, na quarta-feira. “Teremos que esperar. Mas a resposta honesta é que ainda não sabemos. Mas esperamos uma conclusão muito rápida.”

O vírus poderia trazer empregos de volta para os EUA, disse o secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross.

“Bem, primeiro de tudo, os corações de todos americanos estão com as vítimas do coronavírus”, disse Ross durante entrevista à Fox Business Network na quinta-feira. “Não quero falar sobre uma volta da vitória sobre uma doença muito infeliz e muito maligna. Mas o fato é que isso dá às empresas outra coisa para considerar quando analisam sua cadeia de suprimentos, além de todas as outras coisas.”

“Acho que ajudará a acelerar o retorno de empregos para a América do Norte. Alguns para os EUA. Provavelmente alguns para o México também.”

A crise do coronavírus atingiu os mercados financeiros e de commodities nos últimos dias.

O yuan atingiu o nível de 7 por dólar na quinta-feira, rompendo o limite pela primeira vez este ano. O spread entre os rendimentos dos títulos de 10 anos do Tesouro dos EUA e as taxas OIS de três meses ficou negativo, invertendo a curva de juros pela primeira vez desde outubro. Os preços futuros da soja – um componente essencial dos compromissos de importação da China no acordo – mostram queda pelo oitavo dia consecutivo, o maior período de baixas em quase dois meses.

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Enquanto isso, economistas reavaliam as estimativas sobre o impacto no crescimento econômico. A Nomura International diz que o estrago pode ser mais forte do que o observado durante o surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave, ou SARS, em 2003.

Até agora, as duas maiores economias do mundo parecem mais focadas em medidas para evitar a propagação da doença.

“Os EUA e a China estão em estreita coordenação sobre o coronavírus e protegendo a saúde pública de ambos os países”, disse o porta-voz da Casa Branca, Judd Deere. Donald Trump “aprecia a cooperação do presidente Xi.”

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