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O Comitê de Política Monetária (Copom) deve decidir pelo corte de 0,25 ponto percentual na Selic nesta quarta-feira (5), seguido de pausa até 2027, avalia a XP Investimentos. De acordo com as projeções da casa, após este período, o Copom deve retomar o ajuste monetário, levando os juros a 11,50% ao fim do ano que vem.
A análise da XP leva em conta que a economia do país melhorou desde a última reunião do Copom, em junho, com perspectivas de acomodação na inflação, moderação da atividade e câmbio controlado. O contexto internacional também trouxe leituras de inflação mais benignas nas demais economias avançadas, apesar da volatilidade com o petróleo em meio às incertezas sobre o conflito no Oriente Médio.
Para o economista-chefe da XP, Caio Megale, o comunicado deve ser neutro, sem sinalização clara sobre os próximos passos da política monetária.
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O que pode mudar o cenário
Em relatório, Megale reconhece que, caso a inflação siga recuando e a atividade doméstica traga sinais maiores de desaceleração, o Copom poderá estender o ciclo de corte para as reuniões seguintes, sem começar a pausa agora.
Os cortes mais expressivos para 2027 estão condicionados a um avanço nas reformas fiscais, para que as contas públicas voltem a uma trajetória estável.
Petróleo, atividade e inflação sustentam corte
O relatório da XP destaca que o petróleo recuou a US$ 80 após superar US$ 100 há duas semanas. Essa volatilidade é uma resposta ao conflito no Oriente Médio que está em um vai e vem nas negociações de um cessar-fogo. Em uma dessas pausas, a commodity chegou a US$ 70 o que, na leitura da XP, aponta que o cenário pode ficar “potencialmente benigno” quando o conflito realmente se encerrar.
Outras economias internacionais também estão colhendo frutos de uma inflação mais comedida. A XP destaca que os dados recentes de inflação ao consumidor nos EUA e em alguns países vieram abaixo das expectativas, o que reduz a pressão dos bancos centrais para aumentar os juros.
No Brasil, dados sobre vendas no varejo, receitas de serviços e produção industrial cederam em março, “sugerindo uma certa acomodação no PIB do 2 trimestre“, segundo a XP.
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A gestora também vê melhoras nos dados do mercado de trabalho, que desaceleraram tanto na geração de empregos quanto no crescimento dos salários.
Inflação surpreende
Os dados de inflação ganharam destaque no período porque vieram abaixo das expectativas do mercado, seja no dado geral ou nas análises mais específicas (medidas do núcleo), o que sugere uma desinflação mais disseminada, segundo a XP.
“Esses números são voláteis, de modo que é cedo para cravar que estamos diante de uma reversão de tendência frente aos dados desfavoráveis do primeiro semestre. Trata-se, porém, de um sinal encorajador”, avalia o relatório.
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Além disso, a XP destaca que a taxa de câmbio deve sustentar o real daqui para a frente, apesar das incertezas fiscais e políticas, já que ela entrega um superávit comercial “expressivo” e influxos de investimento direto no país (IDP) próximo às “máximas históricas”.
IPCA do ano deve recuar a menos 5%
Ao calcular os modelos do Banco Central para a inflação, a XP estima que a previsão para o IPCA de 2026 deve recuar de 5,2% para 4,9%.
Em 2027, a estimativa é de 3,7% e, para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, é de 3,2%.
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‘Ressaca’ econômica pode ter chegado antes
Na avaliação da XP, a “ressaca” econômica esperada para o pós-eleição para a presidência pode ter se antecipado e já estar em curso, dado os sinais de IPCA abaixo das expectativas e de atividade econômica mais moderada. Megale avalia que é cedo para falar em “reversão de tendência”, mas os números não podem ser ignorados.
Uma explicação plausível para este cenário é que os efeitos da política monetária restritiva estão pesando, aliada ao elevado endividamento das famílias e empresas. O relatório também destaca que “as incertezas políticas estão pesando sobre a confiança e, consequentemente, a capacidade (ou disposição) das empresas de repassar custos mais elevados”, avaliam os economistas da XP.