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O Comitê de Política Monetária (Copom) deve cortar os juros a 13,25% até o fim de 2026, sem pausas, avalia a XP, com base na desaceleração da atividade doméstica e da inflação local. Apesar disso, o tom do comunicado deve enfatizar a cautela com o ambiente global, pressionado pela inflação. Para a reunião de setembro, marcada para esta terça e quarta-feira (15 e 16), a instituição projeta um corte de 0,25 ponto percentual, que levará a taxa básica de juros, a Selic, para 13,75%.
Para 2027, a projeção é de juro terminal em 11,50%, mas a intensidade do ciclo de calibração vai depender da política fiscal do próximo governo e da evolução dos choques de oferta globais, aponta a equipe de economistas da XP, liderada por Caio Megale.
O relatório destaca que uma pausa no ciclo de calibração seria o mais recomendado atualmente, dado o choque de oferta em meio a perspectivas de inflação elevadas e incertezas eleitorais. “Acreditamos, inclusive, que uma pausa no ciclo de flexibilização
monetária seria justificável. Mas não acreditamos que isso ocorrerá”, dizem os economistas.
A decisão do Copom deve ter reflexo moderado sobre os preços dos ativos, já que o corte é amplamente esperado pelo mercado.
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Cenário externo: peso do petróleo sobre preços
No cenário internacional, o relatório da XP destaca que o barril de petróleo ultrapassou a cotação de US$ 100 dólares devido ao conflito entre Estados Unidos e Irã. Além disso, as taxas de juros de longo prazo subiram em diferentes regiões do mundo, refletindo um maior risco fiscal com as economias mais endividadas.
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O relatório cita os juros dos títulos do Tesouro americano de 10 anos, que se aproximaram recentemente de 5%, o maior patamar das últimas duas décadas, segundo a XP, e destaca as incertezas em relação ao fenômeno climático El Niño, que têm potencial de encarecer os alimentos in natura no último trimestre de 2026 e no primeiro semestre de 2027.
Na Europa, o Banco Central Europeu elevou as taxas, e há indicativos de que o Federal Reserve também aperte a política monetária nos Estados Unidos nesta quarta-feira.
Cenário doméstico
No ambiente doméstico, os indicadores demonstram perda de tração. O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre motivou a revisão na estimativa de expansão da economia em 2026, de 2,0% para 1,7%.
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O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apontou deflação de 0,32% em agosto, impulsionada pelo recuo nos preços de bens administrados.
Já a taxa de câmbio continua resiliente, apesar da alta dos juros globais. Esse movimento é explicado pelas exportações das commodities do Brasil e pelo ingresso líquido de investimentos estrangeiros.
Mas, há riscos de alta no mercado interno à frente. Os debates no Congresso Nacional sobre a mudança na jornada de trabalho 6×1 podem impactar os custos de produção, avalia a XP, e os preços do diesel permanecem sem paridade internacional e abrem espaço para reajustes até o encerramento do ano.
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O relatório aponta a tendência de alta nas taxas de câmbio, que subiram de R$/US$ 5,10 para R$/US$ 5,15. As expectativas inflacionárias de médio prazo também aumentaram, passando de 4,22% para 4,30% ao final de 2027. Para o acumulado de 12 meses até março de 2028, a previsão teve leve alta de 4,04% para 4,05%.
Projeções do Copom
A equipe da XP avalia que a previsão de IPCA para 2026 do Copom será de 4,9%, um recuo frente ao 5,1% da reunião anterior. Para 2027, a projeção é de aumento, de 3,8% para 3,9%.
As projeções do Copom para a inflação no primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, devem subir de 3,2% para 3,3%. Segundo a XP, o Copom deve focar nos horizontes mais longos para justificar a decisão sobre os juros.
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Comunicado: Cautela e serenidade
A XP espera que o comunicado do Banco Central preserve a mesma estrutura da edição anterior. O texto deve reiterar que o cenário “requer serenidade e cautela na condução da política monetária”, mas deve apontar que “considerando as incertezas acerca da desaceleração econômica e processo de desinflação em curso”, para justificar a calibração.