Juros em queda

Copom deve reagir à crise com novo corte de 0,5 ponto da Selic – mas analistas não descartam queda maior

Forte queda da produção industrial e impactos da pandemia do coronavírus nos emergentes aumentam apostas de corte de 0,75 p.p. nesta quarta

(Foto: Shutterstock)
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SÃO PAULO – Diante da grave crise pela qual passa o país por conta do coronavírus, cresce a expectativa dos investidores para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (6). Apesar de haver uma maioria projetando um corte de 0,50 ponto percentual na Selic, não se descarta uma redução ainda maior, principalmente após os últimos dados apresentados sobre a atividade brasileira.

Vinte e dois dos 30 analistas consultados pela Bloomberg avaliam que o Banco Central cortará os juros em 0,5 ponto percentual, um vê uma queda de 0,25 ponto, enquanto sete acreditam que a autoridade monetária poderá atuar mais fortemente e reduzir a taxa básica de juros em 0,75 p.p., o que levaria a Selic para 3% ao ano.

Apesar disso, como destaca o Morgan Stanley, a expectativa é que o BC prefira ser mais cauteloso, avaliando os impactos de suas decisões a cada encontro. E apesar dos analistas do banco esperarem um corte de 0,50 p.p., para 3,25%, amanhã, a projeção é que ocorra pelo menos mais uma redução, na reunião de junho.

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Diante dos números mais recentes, o mercado reduziu bastante sua projeção para a inflação por conta da queda do petróleo. Enquanto isso, a pandemia do novo coronavírus derrubou a economia, o que abre espaço para que ocorram mais cortes nos juros.

O Morgan diz que é difícil avaliar qual o nível mais baixo que a Selic pode chegar, mas que esse valor é “longe de zero”. “Pensamos que, dadas as incertezas em torno desse nível e as consequências muito negativas de ultrapassá-lo, o Banco Central deve abordar isso muito lentamente, a fim de evitar erros”, afirmam.

Na mesma linha, a equipe do Itaú BBA também acredita que a melhor opção é o BC manter uma certa cautela no corte. “À luz da deterioração das contas públicas resultante da crise, cortes nas taxas de juros de maior magnitude poderiam ser contraproducentes para as condições financeiras”, afirmam.

“Uma deterioração persistente na trajetória fiscal, que pode se desdobrar nos próximos meses, pode até remover a possibilidade de manter acomodação monetária por um período prolongado, mas esse não é, no momento, nosso cenário de linha de base”, explicam os analistas.

O Credit Suisse, por sua vez, aponta três fatores que justificam um corte de 0,50 p.p. na Selic nesta quarta. O primeiro é o cenário externo menos favorável para os emergentes por conta da maior aversão ao risco causada pela pandemia do coronavírus. “Como resultado, as condições financeiras dos mercados emergentes se deterioraram, com risco de crédito, taxa de câmbio e juros de longo prazo apresentando forte depreciação desde a última reunião”, afirmam os analistas.

O segundo ponto é a inflação, que teve forte redução de expectativa pelo mercado por conta dos menores preços dos combustíveis e do forte impacto da demanda nos preços dos serviços e bens industriais duráveis. Segundo o o Relatório Focus do BC, a projeção caiu de 3,1% para 1,97% em 2020, abaixo do centro da meta do governo.

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Por fim, há ainda a questão da atividade econômica, com os indicadores sugerindo uma forte queda do Produto Interno Bruto (PIB) este ano. Pelo Focus, a expectativa média do mercado saiu de 1,68% de alta este ano para queda de 3,76%.

Últimos dados elevam chance de corte maior

Apesar da maior parte dos analistas ainda esperar um corte de 0,50 p.p. na Selic, tem aumentado as apostas de que o Copom pode decidir acelerar o ritmo e reduzir os juros em 0,75 p.p..

Além de ser algo que já era cogitado, nesta terça os investidores elevaram a chance deste corte maior após a produção industrial e março marcar uma forte queda de 9,1%, bem pior do que a projeção de queda de 3,7%, e corroborar este cenário de maior espaço para o BC reduzir os juros.

E segundo o UBS, este cenário deve se manter ruim. Para os analistas do banco, esta queda da produção se mostra diferente das paradas ocorridas na greve dos caminhoneiros ou da recessão de 2015.

“Esperamos ver uma combinação de efeitos, com uma interrupção de fornecimento que afeta todos os bens, incluindo não-duráveis e serviços, combinados com a redução tradicional de bens de capital e duráveis, que geralmente têm beta alto para a atividade econômica”, avaliam.

Isso se une ao IPC-Fipe de abril, que também caiu mais que o previsto e teve deflação de 0,30%, ante estimativa de -0,16%. Tudo isso também evou a uma aceleração da alta do dólar nesta terça, superando a marca de R$ 5,55.

“Não seria surpresa se o BC cortasse 0,75 p.p.”, disse Italo Abucater, gerente da mesa de câmbio da Tullett Prebon, para a Bloomberg, destacando que essa diferença de 0,25 p.p. acaba também tendo efeito sobre o câmbio.

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