Análise

Conservador Boris Johnson tem vitória esmagadora nas eleições: o que isso significa para o Brexit?

Resultado abre caminho para o Brexit acontecer em 31 de janeiro, mas transição mantém incertezas sobre as relações futuras

SÃO PAULO – Apesar da tensão dos últimos dias, o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, conseguiu uma vitória maiúscula nas eleições, com o Partido Conservador garantindo seu melhor resultado desde 1987, na era Margaret Thatcher.

Os conservadores conseguiram 364 das 650 cadeiras no novo Parlamento, o que representa uma maioria de 78 na Câmara dos Comuns. O resultado foi ainda melhor do que indicavam as pesquisas antes do pleito, e a tendência agora é de um caminho “tranquilo” para que o Brexit finalmente aconteça.

Nas comemorações da vitória no centro de Londres, Johnson disse que o país deixará a União Europeia em 31 de janeiro.

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Esta eleição foi antecipada – deveria ocorrer apenas em 2022 – para encerrar o longo impasse que toma conta do Parlamento para aprovar o acordo do Brexit. Agora, diferente do que aconteceu no governo anterior de Theresa May, Johnson tem força para levar seu plano adiante.

“[a vitória] Nos dá agora, neste novo governo, a chance de respeitar a vontade democrática do povo britânico, de mudar este país para melhor e de liberar o potencial de todo o povo deste país”, afirmou Johnson.

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O líder trabalhista, Jeremy Corbyn, declarou, ainda antes do resultado final, que “esta foi uma noite muito decepcionante”. “Mas quero dizer que, na campanha eleitoral, apresentamos um programa de esperança, de unidade e um programa que ajudaria a corrigir os erros, as injustiças e as desigualdades existentes neste país”, acrescentou em discurso.

Corbyn salientou que a questão do Brexit transformou-se em um debate dividido e polarizado, tendo substituído o debate político normal. “Reconheço que isso contribuiu para os resultados que o Partido Trabalhista registrou esta noite em todo o país”, completou ele, que ainda avisou que não será o líder do partido nas próximas eleições.

Caminho aberto para o Brexit

Analistas apontam que o resultado desta eleição reduz bastante o risco do chamado Brexit sem acordo, que seria a saída do Reino Unido da UE sem que fosse aprovados termos sobre as relações futuras entre os dois blocos.

Logo após o resultado, na manhã desta sexta-feira (13), a libra esterlina registrou forte alta. Mas este cenário pode não durar muito, já que mesmo após o Brexit, haverá um longo período de transição.

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“No futuro, questionamos a sustentabilidade de mais força da libra. Ainda restam muitas incertezas sobre a relação comercial final entre o Reino Unido e a UE, que está sujeita a negociações durante o período de transição, que durará até o final de 2020”, afirma o economista David Meier, do banco suíço Julius Baer.

O Morgan Stanley tem visão parecida, apontando que o caminho está aberto para o divórcio ocorrer no início do ano que vem, com o Parlamento aprovando o acordo no que diz respeito à relação entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte, um dos pontos mais complicados do Brexit.

Porém, a grande questão ficará para as negociações seguintes, que irá definir o futuro das relações entre Reino Unido e UE. Um ponto importante a se pensar, segundo o Morgan, é que o bloco europeu tem uma posição mais forte nestas conversas, já que dependem menos do Reino Unido do que os britânicos dependem dos europeus.

O resultado da eleição tira algumas incertezas da fila e eleva as chances do Brexit finalmente ocorrer em 31 de janeiro. Por outro lado, este não será o final de tudo e 2020 deve ser um ano complicado por conta do período de transição, e nesta fase existem muitas outras questões que terão que ser respondidas.

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