Condições para aprovar Reforma Tributária com IVA nunca foram tão favoráveis, diz Garman

Segundo ele, houve uma maturação do debate no entre os governadores a respeito das definições sobre origem e destino dos tributos

•

Publicidade

As condições políticas para a aprovação de uma Reforma Tributária com a unificação de tributos sob um Imposto sobre Valor Agregado (IVA) nunca estiveram tão favoráveis. A opinião é de Christopher Garman, diretor para as Américas do Eurasia Group.

Segundo ele, houve uma maturação desse debate nos último anos entre os governadores, que sempre se digladiaram a respeito das definições sobre origem e destino dos tributos. “A base de contribuição está caindo”, afirmou durante debate no evento Macro Vision 2022, do Itaú.

O desafio para a aprovação de uma proposta desse tipo é o quanto o governo federal estaria disposto a pagar como compensação para os governadores.

Fábio Zambeli, analista-Chefe do Jota, concordou que as condições estão melhores, mas ainda tem dúvidas se o novo governo colocaria sua força política para avançar nesse tema. “É um tema do Geraldo Alckmin (vice-presidente eleito) e do Fernando Haddad, não é do Lula”, comentou, destacando que a Reforma Tributária não surgiu como tema da campanha vitoriosa do petista.

Zambelli brincou que Reforma Tributária é como a Seleção Brasileira de futebol: todo mundo tem uma. Ele argumentou que, mesmo que o governo chegue a um consenso com o Centrão, no plenário surgem dificuldade com representantes de setores que se sentirem prejudicados, como agentes municipais e estaduais. “O governo vai ter de colocar muita força política”, repetiu.

Sobre a arrecadação para 2023, Garman lembrou que, se não enviar uma nova legislação no início do ano, o novo governo vai recuperar recursos da desoneração do PIS e Cofins sobre combustíveis, o que pode trazer cerca de R$ 50 bilhões a mais do que está no Orçamento.

Autor avatar
Roberto de Lira
Economia | Mercados | Mundo

Roberto de Lira é jornalista com mais de 20 anos de experiência em redações de grandes veículos como Folha de S.Paulo, Gazeta Mercantil, Agência Estado e DCI. Sua formação profissional inclui cursos de pós-graduação e MBA em Derivativos, Direção Editorial e Estratégias Digitais para Empresas de Mídia. Também é autor do dicionário temático “Bolsonário -A nova política de A a Z”, pela Alta Cult.