Balança comercial

Com pandemia, importação cai 10,5% até julho

Importações chegaram a encolher 35,5% no mês de julho, acumulando uma queda de 10,5% nos sete primeiros meses do ano

Photo by sergio souza on Unsplash

Auxiliares do presidente Jair Bolsonaro na área de comércio exterior assumiram os cargos no início do ano passado repetindo o bordão: “importar é o que exporta”. A frase era uma inversão do título de um programa da ditadura militar – “Exportar é o que importa” – que, a partir de 1967, incluiu o financiamento de exportações e devolução de impostos sobre as vendas ao exterior.

Com o objetivo declarado de abrir a economia brasileira e reduzir tarifas de importação, a ideia do atual governo é que a compra de insumos e máquinas do exterior aumentaria a produção brasileira e, por consequência, as exportações.

A pandemia do coronavírus, porém, derrubou um dos pilares do mantra. Se as vendas brasileiras conseguiram recuar menos de janeiro a julho (6,4%), sustentadas pelo agronegócio, as importações chegaram a encolher 35,5% no mês de julho, acumulando uma queda de 10,5% nos sete primeiros meses do ano.

Depois de um primeiro trimestre atipicamente forte, as compras do exterior começaram a registrar quedas acima de dois dígitos a partir de abril. Considerado o período entre abril e julho, o total apresenta queda de 21% na comparação com o ano anterior. As importações chegaram a US$ 46 bilhões, nível que, nos últimos dez anos, só foi alcançado em 2016.

Espelho

“A importação é quase um espelho da produção interna e da atividade. Se tem queda na atividade, tem queda na importação”, explica o gerente de Negociações Internacionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Fabrizio Panzini. “Em abril, caiu 99% a produção, teve uma queda de demanda imensa e você não pode continuar produzindo se a perspectiva não é boa.”

Entre o produtos mais atingidos estão petróleo e derivados, peças e partes de veículos e máquinas e equipamentos. No caso do petróleo, além da demanda interna ter diminuído, o preço no mercado internacional também caiu, contribuindo para a redução de 58,9% na importação do produto bruto em julho e 71% em derivados manufaturados.

“Os primeiros meses da pandemia foram horríveis. A indústria automobilística, que é muito forte no Brasil, ficou 70 dias com a atividade parada. Houve também redução na linha branca. Isso prejudicou muito”, explica o presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Máquinas e Equipamentos (Abimei), Paulo Castelo Branco.

Ele afirma que a pandemia fez os importadores segurarem encomendas e acumularem estoques, que só não foram maiores porque, entre janeiro e abril, a China estava com a produção parada e os brasileiros enfrentaram dificuldades em trazer maquinários e outros produtos.

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Foi o que aconteceu com o empresário Reinaldo Bonilha, CEO do PR2 Group, que representa uma indústria chinesa de máquinas de corte de metal. “No fim de janeiro já tivemos um pré-impacto do exterior, com a paralisação da China. Em março, quando eles voltaram, o Brasil parou. Todo mundo colocou o pé no freio e a queda nas vendas foi praticamente de 95%, ainda mais com o dólar em alta”, contou.

Bonilha lembra que os primeiros meses haviam sido ‘atipicamente fortes’, mas que, ainda assim, sua empresa teve queda de 40% no faturamento no primeiro semestre. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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