Taxa ideal é 70%

Cidades mantêm baixo isolamento e Doria deve adotar medidas mais restritivas

Taxa média subiu nos últimos dias - passou de 47% na quinta-feira para 55% no sábado, ainda abaixo da meta

Vista aérea da Avenida Paulista, na área central de São Paulo
Vista aérea da Avenida Paulista, na área central de São Paulo (Alexandre Schneider/Getty Images)
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Nenhuma das 40 cidades paulistas monitoradas pelo governo de São Paulo alcançou nos últimos dias a taxa de isolamento social desejada pelo Estado. Segundo o governo, para que o sistema de saúde dê conta de atender os pacientes que serão infectados pelo novo coronavírus, 70% da população precisa ficar em casa. O governador João Doria (PSDB) disse que poderá adotar medidas mais restritivas se as pessoas não se isolarem de maneira voluntária.

Levantamento divulgado pelo jornal O Estado de S. Paulo aponta que a taxa média subiu nos últimos dias – passou de 47% na quinta-feira para 55% no sábado -, mas continua baixa. O índice de isolamento vem sendo medido pelo governo paulista com o apoio das operadoras de telefonia e é referente a 40 cidades com população acima de 30 mil habitantes.

Especialistas apontam que a taxa de isolamento de 70% faz com que o vírus se alastre de forma mais lenta, fazendo com que as pessoas sejam contaminadas num período de tempo maior. Isso possibilita que a estrutura de saúde dê conta de atender à população.

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Os municípios com o menor índice no sábado foram Limeira e Presidente Prudente, no interior do Estado, com apenas 47% de isolamento. Já São Vicente, no litoral, foi a cidade com o maior índice, 62%. A capital ficou no meio, com 54%.

Limeira tem cinco casos da doença e nenhum óbito, de acordo com balanço da Secretaria Estadual da Saúde. Presidente Prudente tem duas mortes e quatro casos confirmados. São Vicente tem 15 doentes confirmados com covid-19.

Para Juliana Cortines, virologista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a população tem dificuldade de lidar com as medidas de prevenção. “A ideia de pensar no futuro é abstrata para muita gente. E há quem ainda não conheça alguém que pegou covid-19 ou morreu pela doença. Então surge um receio em fazer uma mudança drástica na rotina, como o isolamento, por uma coisa que não está tão visível”, afirma. “Isso (baixo isolamento) deve estar acontecendo em cidades com poucos casos. Mas não devia ser assim, porque além dos confirmados há os assintomáticos e os que não foram testados.”

A falta de testes e, consequentemente, de diagnósticos, que por sua vez levam a um número irreal de quantos doentes e mortos temos, também é citada pelo infectologista Marco Aurelio Safadi, da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, como fator que compromete a adesão ao isolamento.

“Quando o indivíduo recebe o diagnóstico da doença, ele percebe a importância de ficar isolado, leva isso a sério, e também conscientiza as pessoas ao seu redor”, diz. Além disso, para o médico, algumas pessoas que estão confinadas há semanas podem não estar mais suportando o isolamento. “É um remédio amargo, que tem um custo econômico, social e psicológico. Mas é a maneira que temos de evitar a disseminação do vírus, e é uma estratégia que vem dando certo em outros países.”

Doria, que já ampliou as regras de restrição do convívio social até o dia 22 deste mês, afirmou que não descarta medidas mais restritivas, como aplicação de multas e até prisão para quem desrespeitar o distanciamento. “Espero que não tenhamos de chegar nesse patamar, mas se for necessário faremos em defesa da vida”, afirmou Doria, na Sexta-feira.

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“Vamos fazer o teste no final de semana. Se não elevarmos esse nível, que hoje é de 50%, para mais de 60% e caminharmos para 70%, na próxima semana, o governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo tomarão medidas mais rígidas”, disse o governador.

A fala de Doria gerou reação da Advocacia-Geral da União. Em nota no fim de semana, o advogado-geral da União, André Mendonça, disse aguardar informações do Ministério da Saúde e Agência Nacional de Vigilância Sanitária “para a propositura de medidas judiciais cabíveis com o objetivo de garantir a ordem democrática e a uniformidade das medidas de prevenção à covid-19”.

“(…) Medidas isoladas, prisões de cidadãos e restrições não fundamentadas em normas técnicas emitidas pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa abrem caminho para o abuso e o arbítrio. Medidas de restrição devem ter fins preventivos e educativos – não repressivos, autoritários ou arbitrários.”

Pelo Mundo

Medidas de isolamento já foram adotadas em diversos países. Confira a seguir:

– Itália, Espanha e França: Os governos de Itália, Espanha e França determinaram medidas como quarentenas obrigatórias e estão aplicando multas para as pessoas que desobedecerem a medida. Aglomerações estão proibidas e eventos públicos foram cancelados. Em Madri, o governo usa drones para monitorar o fluxo de pessoas. A Itália já emitiu mais de 40 mil multas para quem descumpriu as medidas de distanciamento social.

– Suécia: Na Suécia, as medidas de distanciamento social estão mais suaves. É possível levar crianças à escola, ir a restaurantes e à academia. Mas o governo recomendou a quem possa trabalhar em casa e que viagens não essenciais sejam evitadas. Shows, eventos esportivos e aglomerações com mais de 50 pessoas estão proibidas.

– China: No início do surto, na China, autoridades restringiram viagens em todo o país e disseram às pessoas para ficar em casa. Depois, a medida se tornou obrigatória. Nas fábricas, a rotina agora exige medições de temperatura e muito mais cuidado do que antes. As medidas têm sido flexibilizadas apenas recentemente.

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– Índia: Segundo país mais populoso do mundo, a Índia baniu todos os voos internacionais até amanhã. E impôs a maior quarentena do mundo, que causou uma migração em massa das grandes cidades para outras regiões do país de 1,3 bilhão de habitantes.

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