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O mercado de trabalho formal já começa a responder de forma mais evidente ao aperto monetário e à desaceleração da atividade econômica. Dados do Novo Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego nesta quarta-feira (4), mostram a criação líquida de 121.305 vagas com carteira assinada em setembro, número abaixo das expectativas do mercado, que projetava a abertura de cerca de 180 mil a 185 mil postos.
A perda de fôlego fica evidente ao se observar os dados na margem, segundo os economistas. Com os ajustes sazonais, as admissões recuaram 1,8% e os desligamentos caíram 0,3% em comparação à divulgação anterior, segundo levantamento da consultoria 4Intelligence.
Para Mônica Araújo, economista-chefe da InvestSmart XP, o número evidencia uma desaceleração frente às 161 mil vagas criadas em agosto, sinalizando que a taxa de juros, atualmente em 13,75%, tem impactado negativamente a economia brasileira. A especialista pontua que, embora importante para a avaliação do Comitê de Política Monetária (Copom), o dado não deve alterar o quadro de manutenção da Selic na decisão que deve ser divulgada hoje após o fechamento do mercado.
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Para 2027, o cenário é ainda mais desafiador, avalia Rodolfo Margato, economista da XP, devido ao enfraquecimento da atividade doméstica, o que deve levar à menor abertura de vagas, ao aumento de custos salariais e da escassez de mão de obra em alguns setores. “Projetamos que a criação líquida de empregos formais totalizará cerca de 800 mil em 2026 e 420 mil em 2027”, afirma.
Dependência de serviços e o tombo do comércio
A análise setorial revela um mercado de trabalho menos disseminado e cada vez mais dependente do setor de Serviços, que sustentou o resultado de setembro com um saldo positivo de 40 mil vagas (puxado por saúde, atividades administrativas e transportes). Em contrapartida, a Indústria cortou 14,3 mil postos, e a Agropecuária recuou em 4,4 mil vagas.
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O cenário mais crítico, no entanto, é o do Comércio. No acumulado de 2026, o setor apresenta o pior desempenho em relação ao ano anterior, com um tombo de 90,3% na geração de vagas formais. A 4Intelligence explica que o financiamento ao consumo encarecido pelos juros altos afeta diretamente as contratações em segmentos de bens duráveis, como móveis e eletroeletrônicos, altamente dependentes de parcelamento.
Além do fator macroeconômico, questões estruturais estão reconfigurando as vagas no país. A consultoria aponta que o crescimento do e-commerce tem transferido empregos do comércio varejista tradicional para subsetores de serviços atrelados à logística e armazenagem.
Outro impacto vem do avanço das apostas esportivas, as chamadas “bets”, até setembro. Estudos indicam que o principal item cortado pelos apostadores brasileiros é o vestuário, o que, somado ao fim da isenção tributária para compras internacionais de pequeno valor (a “taxa das blusinhas”), inibe o avanço do emprego formal no setor, aponta a 4Intelligence.
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Resiliência salarial e projeções rebaixadas
Para Leandro Padulla, economista do ASA, o resultado reforça a percepção de que o mercado de trabalho formal começa a responder, ainda que gradualmente, à desaceleração da atividade econômica e aos efeitos defasados da política monetária restritiva. Padulla ressalta que, apesar do arrefecimento, o mercado permanece resiliente.
Essa resiliência pode ser observada no volume de pedidos de demissão voluntária e na evolução da renda.
Segundo a 4Intelligence, foram registrados 764,9 mil desligamentos a pedido do trabalhador em setembro, somando 9,2 milhões no acumulado de 12 meses. Esse alto volume de rotatividade sugere que profissionais seguem encontrando ofertas mais vantajosas e que os salários continuam apresentando força. As variações anuais dos salários médios nominais subiram 6,3% na admissão e 5,3% no desligamento, superando a inflação de serviços.
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Diante do cenário de acomodação, a 4Intelligence revisou para baixo suas estimativas anuais. A projeção de criação de vagas formais para 2026 foi reduzida de 950 mil para 900 mil, número compatível com a nova estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da consultoria, que passou de 1,8% para 1,6% neste ano. Para 2027, a expectativa é de uma desaceleração ainda maior, com a criação de 785 mil postos de trabalho e um PIB avançando 1,2%.