Dificuldades

Brexit: incertezas podem durar uma década mesmo com aprovação de acordo, diz economista

Para Erik Nielsen, economista-chefe do banco UniCredit, este é apenas o começo de um longo período de incertezas

SÃO PAULO – As dificuldades do Brexit estão longe de acabar e especialistas apontam que, mesmo que o recente acordo atingido entre Reino Unido e União Europeia seja aprovado, este é apenas o começo de uma fase de muitas incertezas.

Em relatório divulgado no domingo (20), Erik Nielsen, economista-chefe do banco UniCredit, afirma que este cenário pode durar dez anos. “Estamos em uma década de incertezas e isso quase certamente fará com que o Reino Unido tenha um desempenho inferior aos seus pares em termos de crescimento nos próximos anos”, afirma.

Nielsen porém, acredita que a Câmara dos Comuns irá aprovar o acordo de Johnson nesta semana, mas o resultado será apertado. Ele explica que deve haver muita luta da oposição no Parlamento “em favor de um segundo referendo ou união aduaneira”, mas que será difícil conseguir maioria para estes assuntos.

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“Se eu estiver certo, o Reino Unido deixará a UE muito em breve (provavelmente após uma breve extensão técnica)”, diz o economista. “Até o final do próximo ano (e possivelmente prorrogado por até dois anos), o Reino Unido viverá em transição, ou seja, viverá com todas as regras, regulamentos e legislação da UE, mas sem voto ou influência nas alterações”, explica.

E este período de transição é que deve se estender. Segundo Nielsen, nestes próximos anos, serão feitas negociações para novos acordos comerciais com diversos países, mas será “impossível conseguir algo em um período tão curto de tempo”.

No último sábado a Câmara dos Comuns se reuniu para deliberar sobre o acordo conquistado dias antes, mas antes da derradeira votação, os parlamentares aprovaram uma emenda do ex-legislador do Partido Conservador Oliver Letwin, que determina que o acordo de Brexit só poderá entrar em vigor quando uma porção da legislação relacionada à saída for aprovada na Câmara.

Veja também: Cronologia do Brexit: Um resumo sobre a saída do Reino Unido da UE

Com esta decisão, o primeiro-ministro Boris Johnson se viu obrigado a pedir um adiamento do prazo da saída do Reino Unido da UE, marcado para 31 de outubro. Mesmo mostrando resistência, ele enviou uma cara – sem assinar – fazendo este pedido de extensão.

A questão agora é se a Comissão Europeia irá aprovar o prazo, e caso isso não aconteça poderá resultar no Brexit sem um acordo, o que mergulharia os britânicos em caos e incerteza.

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