Crise imigratória

Brexit e perigos não detêm migrantes que visam o Reino Unido

Não existem estimativas recentes confiáveis sobre o total de migrantes ilegais no Reino Unido

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(Crédito: Fotos Públicas)

(Bloomberg) — Quando a noite chega na pequena Gembloux, na Bélgica, a escuridão traz outra chance de completar uma jornada épica.

Eles já estão a 4.800 quilômetros de casa, mas para um grupo de jovens da Eritreia, cruzar o mar até o Reino Unido é a meta cobiçada.

Eles dormem de dia e se preparam para caminhar até um estacionamento onde esperam entrar sorrateiramente na caçamba de um caminhão ou encontrar um motorista disposto a escondê-los e transportá-los pelo canal por algumas centenas de euros. Poucos conseguem. E ainda podem ser presos e devolvidos. Isso não os detém.

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“Não me importo se está chovendo ou nevando, eu tento toda noite”, diz Abraham, 23 anos. Ele foi detido quatro vezes em seis meses, mas avisa que nunca vai parar de tentar.

Abraham e seus compatriotas já alcançaram o coração da União Europeia, com sua moeda única, impressionante rede de transporte e fronteiras abertas do litoral da Bélgica à Bielorrússia. No entanto, eles seguem determinados a chegar à ilha sonhada, onde o governo acaba de receber poder para concluir a saída do bloco e fortalecer as defesas contra a imigração.

O idioma, laços familiares e a mistura de culturas ajudam a explicar tanto empenho. Muitos falam pelo menos um pouco de inglês e têm parentes no Reino Unido. Eles têm certeza de que conseguirão trabalho por lá.

O Reino Unido continua sendo destino preferido independentemente da vitória decisiva do primeiro-ministro Boris Johnson nas eleições de 12 de dezembro. A Associação Britânica de Caminhoneiros orienta os motoristas a não parar em um raio de 240 quilômetros em torno de um porto da França ou Bélgica para que não sejam visados por gente tentando entrar clandestinamente em território britânico.

Mais deles estão usando botes. Em um único dia em setembro, 86 pessoas atravessaram o Canal da Mancha em embarcações improvisadas.

As autoridades britânicas afirmam que não há razão para assumir tais riscos porque existem rotas seguras e legais. Migrantes no norte da França e Bélgica discordam. Em entrevistas realizadas em campos de refugiados este mês, eles disseram ter pouca escolha a não ser buscar alternativas mais perigosas.

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A implantação pelo governo britânico de técnicas mais sofisticadas para detê-los aparentemente faz pouca diferença.

Sob os regulamentos atuais, as pessoas que chegam ao litoral da Europa em busca de refúgio precisam tirar suas impressões digitais no primeiro país seguro em que pisam, geralmente Grécia, Itália e Malta e, cada vez mais, a Espanha. É lá que eles devem pedir asilo. Mas se forem embora sem deixar dados, o processo pode ser reiniciado onde eles ressurgirem seis meses depois.

O Reino Unido recebe um número de pedidos de asilo per capita abaixo da média da UE e menos solicitações de asilo que diversos integrantes do bloco. Não existem estimativas recentes confiáveis sobre o total de migrantes ilegais no Reino Unido, mas o Observatório de Migração de Oxford calcula que esses requerentes representaram cerca de 5% dos imigrantes para o Reino Unido em 2018.

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