Agência de risco

Brasil enfrenta múltiplos choques e incerteza política dificulta a visão de cenários para 2021, diz Fitch

Em live da XP, Shelly Shetty afirmou que o esforço fiscal feito no pré-pandemia segurou rating do país em “BB-“, mas crise justifica perspectiva negativa

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SÃO PAULO — O Brasil está enfrentando múltiplos choques, o que aumenta a incerteza de uma retomada em 2021. A avaliação foi feita por Shelly Shetty, diretora da Fitch e uma das responsáveis pelo rating brasileiro, durante live da XP Investimentos realizada nesta sexta-feira (19).

Além da pandemia de coronavírus, que prejudicou todas as economias globais, o Brasil também está enfrentando o choque nos preços das commodities, no câmbio e na política, por exemplo. “O país vinha fazendo a lição de casa e as coisas lentamente caminhavam para o lado positivo”, afirmou.

Shetty se referia à aprovação da reforma da Previdência e aos planos de votação de outras medidas que visavam controlar o quadro fiscal do país antes da pandemia. Agora, assim como as demais economias globais, o Brasil se vê obrigado a aumentar os gastos para evitar um colapso de maior gravidade.

“O Brasil já gastou com pacotes de ajuda algo em torno de 6% do PIB, mas o custo real dos auxílios com certeza vai além disso”, afirmou. “Temos que monitorar como isso vai se comportar ao longo do ano.”

A agência de classificação de risco disse que o aumento das incertezas foi o que levou ao corte na perspectiva do rating do Brasil, em maio deste ano, para negativa. Mas que o esforço fiscal feito previamente pelo governo justificou a permanência, por ora, da nota de crédito do país em “BB-“ — três níveis abaixo da avaliação mínima para uma economia ser considerada “grau de investimento”, ou boa pagadora perante os credores internacionais, de “BBB-“.

Assim, a Fitch também revisou sua projeção de crescimento do PIB brasileiro em 2020 de uma alta de 2% para uma queda de 6%. “Quando olhamos para 2021, não temos certeza como a recuperação econômica será. Há incertezas fiscais e políticas, incertezas sobre as reformas.”

Shelly disse que o Brasil vai ter déficit primário de dois dígitos em 2020, mas que, no próximo ano, ele pode cair pela metade com a retomada do controle fiscal, das discussões das reformas e recuperação da economia. Há, contudo, o risco de isso não acontecer.

“A relação dívida/PIB será maior que 90% depois da pandemia. O Brasil vai ficar entre 95% e 100% pelos próximos dois a quatro anos. E as incertezas políticas estão dificultando as visões de perspectivas”, concluiu a diretora da Fitch.

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