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SÃO PAULO – Ilustrando a capa de diversas publicações de peso da mídia externa, o Brasil virou mesmo a “bola da vez”: depois da CFA Magazine, a Pimco é quem revela seu otimismo e vê boas oportunidades para os interessados em pegar carona no bom momento da economia brasileira.
Os elogios concedidos ao País não são irrelevantes, já que a Pimco é a maior gestora de bonds do mundo, administrando um montante de mais de US$ 1 trilhão. Brigitte Posch é quem assina o relatório de setembro da Pimco, destacando a expansão dos investimentos em infraestrutura e apontando quais os setores mais atraentes.
Mais empregos, mais renda
“O Brasil é um mercado emergente com uma animadora história de evolução econômica”. A frase abre as considerações de Posch sobre o País, que segundo suas estimativas, deve crescer 7,5% em 2010, bem acima da alta de 2,2% prevista para o PIB (Produto Interno Bruto) norte-americano também neste ano.
Entre os tantos fatores enaltecidos pela analista, está o forte histórico de geração de empregos. “O Brasil vem adicionando postos de trabalho à sua economia a uma taxa de mais de 1 milhão por ano desde 2005, segundo os dados do Ministério do Trabalho”, destaca Brigitte.
O cenário favorável no mercado de trabalho, por sua vez, impacta positivamente no perfil de renda. Como observa a analista, a população brasileira de classes alta e média cresceu mais de 50%. “O País agora conta com um total de 92 milhões de pessoas nestes segmentos, em uma população de 200 milhões, de acordo com números da Fundação Getulio Vargas”, afirma.
A fonte dos recursos
Tanto progresso tem seu outro lado da moeda: a crescente necessidade de maiores investimentos em infraestrutura. “Uma classe de consumidores em expansão precisa de mais energia, telecomunicações, saneamento, habitação e transporte. Segundo estimativas, o Brasil precisará investir cerca de R$ 100 bilhões por ano para corresponder a essas necessidades”, diz Brigitte.
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Mas fica a pergunta: de onde tirar tais recursos? Para a analista, a resposta está na emissão de títulos no mercado externo: “tais títulos seriam investimentos muito atrativos, pois ofereceriam rendimentos maiores que os vistos em bonds de empresas norte-americanas e europeias”.
Posch destaca, por exemplo, que o CEMBI (Corporate Emerging Market Bond Index) – índice de bonds corporativos de mercados emergentes, calculado pelo JPMorgan – vem mostrando rendimentos de quase 6%, quase o dobro do apresentado pelos títulos do Tesouro norte-americano com vencimento em dez anos. “As estimativas da Pimco são de que bonds corporativos emergentes somem um valor de US$ 1 trilhão em 2013”, diz Brigitte. Se confirmado, o valor implicaria forte expansão de 15% por ano do mercado.
A segunda pergunta que se faz é: onde exatamente investir? Entre tantas oportunidades, a analista da Pimco elenca uma lista de setores de preferência, entre eles o de petróleo e gás, o de mineração e os atrelados ao mercado siderúrgico, além de instituições financeiras de peso, que também tendem a se beneficiar com o financiamento dos projetos de infraestrutura previstos para o País nos próximos anos.
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Política fiscal e BNDES
Entretanto, muitos vêm questionando a capacidade do governo brasileiro de bancar tais investimentos sem comprometer a saúde de seu perfil fiscal, “especialmente nos tempos em que vivemos, de tantos temores acerca de países como a Grécia”. Para Brigitte Posch, todavia, tais apreensões são infundadas, embora, “de fato, a trajetória dos gastos das grandes companhias deva ser acompanhada de perto”.
Um dos fatores destacados por Brigitte para defender seu ponto de vista é o de que o Brasil continua apresentando bons superávits primários mensais, “entre os melhores do G-20”. A analista também ameniza temores quanto à expansão dos gastos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), “expansão esta que é tanto compreensível quanto desejável, já que a expectativa é de que os investimentos gerem retornos bastante positivos”.
Além disso, “a folha de gastos do BNDES, que soma R$ 312 bilhões, tem de ser posta em sua perspectiva, marcada por um PIB de R$ 3,3 trilhões”, pondera a analista, que conclui: “considerando todos estes fatores, vemos um futuro promissor para a economia brasileira e muitas oportunidades para investidores que quiserem apostar em setores relacionados à infraestrutura”.