Discurso na Casa Branca

Biden diz que Afeganistão não está disposto a lutar e confirma retirada de tropas americanas: “Isso acaba aqui, comigo”

Biden fez ainda alusão à Guerra do Vietnã, afirmando que não vai cometer os mesmos erros do passado

SÃO PAULO – Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, reiterou nesta segunda-feira (16) sua decisão de retirar as tropas americanas do Afeganistão, em seu primeiro depoimento desde que grupo fundamentalista Talibã entrou na capital e tomou o controle do país.

“Eu apoio totalmente a minha decisão. Após 20 anos, aprendi da maneira mais difícil que nunca foi, nem será, um bom momento para retirar as forças armadas americanas do Afeganistão”, disse Biden durante pronunciamento na Casa Branca.

As falas de Biden acontecem em meio ao aumento das críticas sobre a forma como o seu governo tem lidado com a situação. Os Estados Unidos retira tropas americanas enquanto há um caos na capital Cabul, e o governo civil entra em colapso.

Os Estados Unidos estavam no Afeganistão desde 2001, após o ataque terrorista às Torres Gêmeas e depois de terem tomado o controle do próprio Talibã e tentado criar instituições de Estado junto ao governo afegão.

Em sua fala, Biden reconheceu que a situação se desenrolou mais rápido do que o esperado, com o Talibã tomando o controle do país inteiro em apenas duas semanas.

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Segundo ele, a última semana provou que 20 anos de guerra não conseguiram produzir um exército afegão que consiga defender o governo, nem um governo disposto a permanecer no país enquanto o Talibã se aproxima.

A última parte faz referência ao presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, que deixou o país no domingo (15), após a chegada do Talibã na capital.

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“As tropas americanas não podem e não devem lutar em uma guerra – nem morrer em uma guerra – que as forças afegãs não estão dispostas a lutar por si próprias”, disse Biden. “Demos a eles todas as chances de determinar seu próprio futuro. Não poderíamos dar-lhes vontade de lutar por esse futuro.”

Durante o pronunciamento, Biden reforçou os amplos investimentos financeiros – que ultrapassaram US$ 1 trilhão nas últimas duas décadas – e de militares americanos na guerra, além da longa duração da missão, passando por quatro presidentes americanos, contando com ele. “Não vou passar essa responsabilidade pra um quinto presidente. Isso acaba aqui, comigo”, afirmou.

“Mais um ano, ou mais cinco anos, de presença militar dos EUA não teria feito diferença se os militares afegãos não pudessem ou não quisessem manter seu próprio país”, completou o presidente. “E uma presença americana sem fim no meio do conflito civil de outro país não é aceitável para mim.”

Biden fez ainda alusão à Guerra do Vietnã, afirmando que não vai cometer os mesmos erros do passado. Segundo ele, os Estados Unidos podem continuar oferecendo ajuda, desde que seja de forma diplomática.

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