BC vê pressão de demanda diante de alta da renda e estímulo no crédito, diz Galípolo

O presidente do Banco Central afirmou que a resiliência da economia e o desemprego baixo impulsionam o consumo, destacando que choques de oferta como a guerra no Irã elevam o custo de vida percebido pelas famílias

Reuters

O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo participa da apresentação do Relatório de Política Monetária, que substitui o Relatório Trimestral de Inflação (Antônio Cruz/Agência Brasil)
O presidente do Banco Central do Brasil, Gabriel Galípolo participa da apresentação do Relatório de Política Monetária, que substitui o Relatório Trimestral de Inflação (Antônio Cruz/Agência Brasil)

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BRASÍLIA, 3 Jun (Reuters) – O ⁠Banco Central enxerga pressões ⁠de demanda em indicadores de inflação ‌no Brasil, que refletem uma alta na renda das famílias, estímulo ao consumo ‌via concessões de crédito, economia resiliente e desemprego baixo, disse nesta quarta-feira o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo.

Em participação virtual no evento Fórum de Lisboa, Galípolo afirmou ⁠que ‌choques de oferta como o ⁠provocado pela guerra no Irã tendem a elevar níveis de preços, ampliando a sensação de desconforto das famílias, embora o Brasil tenha se mostrado mais ​bem posicionado do que seus pares para enfrentar esse cenário.

“As pessoas estão menos ​focadas ou têm menos na cabeça qual é o IPCA, qual é o IGP, qual é o núcleo de inflação, mas sabem muito bem ‌quanto está custando o leite, ​quanto está custando da carne”, disse.

Ao afirmar que o BC vê efeitos dos choques de oferta nos ⁠preços, ​Galípolo disse ​que a autarquia analisa núcleos de inflação que expurgam esses ⁠efeitos. Ele citou ​como exemplo o setor de serviços, que tem inflação rodando em “patamar bastante incompatível” com ​a meta de 3%.

“A gente enxerga essas pressões de demanda ali dentro ​dos indicadores ⁠de inflação”, afirmou.

Em relação ao câmbio, o presidente do ⁠BC afirmou que o cenário com curva de juros futuros bem-comportada nos Estados Unidos e dólar desvalorizado “colabora bastante para a economia brasileira”.

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(Por Bernardo Caram, edição de Isabel ​Versiani)