BC do Japão mantém taxa de juros, mas divisão aponta para alta em junho

O banco central também revisou para cima suas previsões de preços

Reuters

O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, durante entrevista em Tóquio (Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters)
O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, durante entrevista em Tóquio (Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters)

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TÓQUIO, ⁠28 Abr (Reuters) – O Banco do Japão deixou inalterada ⁠a taxa de juros nesta terça-feira, mas três dos nove ‌membros da diretoria propuseram um aumento dos custos dos empréstimos, sinalizando as preocupações das autoridades sobre as pressões inflacionárias decorrentes do conflito no ‌Oriente Médio.

O banco central também revisou para cima suas previsões de preços e enfatizou a vigilância em relação ao risco de a inflação ficar acima da meta, sinalizando uma forte chance de um aumento dos juros nos próximos meses.

‘Embora o Banco do Japão tenha mantido os juros, os ⁠três ‌votos dissidentes destacam as tensões que as autoridades monetárias enfrentam’, disse ⁠Fred Neumann, economista-chefe para a Ásia do HSBC, observando que os choques de energia estão estimulando a inflação e reduzindo o crescimento.

‘Dadas as elevadas expectativas de inflação no Japão, que aumentaram ainda mais devido à crise energética, o Banco do Japão precisará aumentar ​a taxa de juros no devido tempo para evitar que as pressões sobre os preços aumentem ainda mais’, disse ele.

Conforme amplamente esperado, ​o banco central deixou inalterada sua taxa de juros em 0,75% após dois dias de reuniões que terminaram nesta terça-feira.

Entretanto, em um movimento inesperado, três membros da diretoria discordaram e, em vez disso, pediram um aumento da taxa para 1,0%. Naoki Tamura e Junko ‌Nakagawa se juntaram a Hajime Takata, que, sem ​sucesso, fez uma proposta individual de aumento em março.

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Esse foi o maior número de dissidências que a diretoria já viu desde janeiro de 2016, quando o Banco do ⁠Japão adotou juros negativos ​por uma votação apertada ​de 5 a 4.

O presidente do Banco do Japão, Kazuo Ueda, disse que o banco ⁠central decidiu pela pausa por enquanto ​para passar mais tempo avaliando as consequências do conflito e para analisar o que ainda considera ser uma inflação temporária, impulsionada por choques na oferta.

No ​entanto, ele enfatizou a disposição do banco de aumentar os juros para evitar que o choque de energia alimente uma ​inflação mais ampla, desde ⁠que qualquer desaceleração econômica decorrente da guerra do Irã seja moderada.

‘Se os riscos inflacionários conseguirem ⁠se materializar ou se eles aumentarem significativamente, poderemos elevar a taxa de juros, desde que os riscos econômicos negativos ou o risco de uma piora econômica acentuada sejam limitados’, disse Ueda em uma coletiva de imprensa.