Banco Mundial impulsiona mobilização de capital privado para valor de US$ 112 bi

O banco está trabalhando para padronizar e estruturar empréstimos de forma a atrair investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras e gestoras de ativos

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WASHINGTON, 17 Set (Reuters) – O Banco Mundial informou ⁠nesta quinta-feira que atraiu US$112 bilhões em capital privado no ano fiscal ⁠encerrado em junho, contra US$69 bilhões no ano anterior, e mais do que o triplo do ‌valor registrado no ano fiscal de 2022, antes de Ajay Banga, ex-presidente-executivo da Mastercard , assumir a presidência da instituição.

O banco informou que o valor recorde comprometido para projetos que ele facilita se soma aos US$123 ‌bilhões provenientes de seus próprios recursos para aquele ano, totalizando US$235 bilhões.

O banco está trabalhando para padronizar e estruturar empréstimos de forma a atrair investidores institucionais, como fundos de pensão, seguradoras e gestoras de ativos, como a BlackRock , com o objetivo de mais que dobrar o capital privado para mais de US$200 bilhões em dois a três anos, disse Banga em uma entrevista.

“É aí que estão os grandes volumes de dinheiro, e eles não ⁠vêm ‌para projetos individuais”, disse ele, observando que o fundador da BlackRock, Larry Fink, o incentivou há vários ⁠anos a criar uma classe de ativos que pudesse atrair fundos maiores presentes no setor privado.

Banga tornou a captação de capital privado uma prioridade, dadas as enormes necessidades financeiras que os países em desenvolvimento enfrentam para financiar a transição energética, a educação, a saúde e a agricultura, em um momento em que a ajuda oficial ao desenvolvimento está diminuindo.

“Não há trilhões no sistema, nem nos governos, nem ​conosco, nem mesmo na filantropia. Portanto, o que é preciso fazer é encontrar uma maneira de obter capital privado — do qual há em abundância —, que está em busca de boas oportunidades de investimento ​e um bom retorno”, disse Banga.

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O tamanho do mercado de capital institucional administrado é superior a US$280 trilhões, dos quais apenas 5% a 8% historicamente são direcionados às economias em desenvolvimento, de acordo com dados da Glasgow Financial Alliance for Net Zero, do Boston Consulting Group e da British International Investment.

As empresas privadas têm evitado grandes investimentos em países em desenvolvimento devido à incerteza regulatória, ao risco político e aos ‌desafios relacionados às moedas locais.

Banga convocou um Laboratório de Investimento do Setor ​Privado após assumir a presidência do banco em junho de 2023, reunindo especialistas, incluindo Fink, para debater maneiras de lidar com essas preocupações, e tomou medidas em todo o banco e suas subsidiárias para resolvê-las.

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Ele afirmou que os US$112 bilhões mobilizados no ano fiscal ⁠de 2026 foram resultado de uma série ​de iniciativas.

Entre elas estão ​a simplificação do trabalho do banco e a designação de um único gerente como ponto de contato por país, em vez de os ⁠países terem que trabalhar com gerentes distintos do Banco Mundial, ​da Corporação Financeira Internacional (IFC) e de outras unidades do banco.

O Banco Mundial também estreitou os laços com instituições de desenvolvimento e reduziu o tempo médio de aprovação de projetos de um ano ou mais para nove meses, ou menos ainda ​para projetos simples, disse Banga.

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Os países mutuários também estão cada vez mais interessados em atrair investimentos privados, em vez de depender de ajuda externa, disse Banga, acrescentando que os países ​precisam trabalhar para melhorar a infraestrutura, ⁠aumentar a arrecadação e promulgar reformas regulatórias.

Cerca de 40% dos empréstimos do Banco Mundial no último ano fiscal foram destinados à infraestrutura, enquanto ⁠26% foram para projetos focados em reformas regulatórias, disse Banga.

“É uma rede complexa de fatores, mas tudo começa por tornar o banco mais capaz de ser o parceiro certo: uma estrutura única, mais ágil para reagir, que compreenda seus clientes e atenda às suas necessidades”, disse ele.

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Os fluxos de capital privado aumentaram acentuadamente para países de renda média-baixa, países de renda média-alta e em toda a África, enquanto permaneceram estáveis para países de baixa renda.

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