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O Banco Central brasileiro manteve a taxa básica de juros Selic nesta quarta-feira (4), a 13,75% ao ano, dando uma pausa na série de cortes para avaliar melhor as perspectivas econômicas após a eleição presidencial de outubro. Com isso, o Copom (Comitê de Política Monetária) interrompe uma sequência de 5 quedas na taxa. A decisão foi unânime.
A decisão do Copom foi em linha com o esperado pelo mercado, que teve uma reviravolta em relação às expectativas das primeiras semanas de outubro, que eram de corte de juros.
Os mercados domésticos sofreram um abalo na semana passada depois que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva frustrou as esperanças dos investidores de uma solução rápida para os problemas orçamentários do Brasil sob um governo de seu rival, o senador Flávio Bolsonaro. O mercado, então, reagiu com alta dos juros futuros em meio às dúvidas sobre os planos fiscais de Lula.
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No comunicado que acompanha a decisão desta quarta, o comitê deixou os próximos passos em aberto citando uma ampliação das incertezas. “O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução”, disse.
O BC acrescentou que seguirá acompanhando a evolução do cenário “para manter a restrição adequada” com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta.
O Banco Central também apontou que a piora do ambiente externo, marcada pela escalada dos conflitos no Oriente Médio, pela alta do petróleo e por condições financeiras mais restritivas nas economias avançadas, exige prudência na condução da política monetária.
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A autoridade monetária afirmou que o ambiente global ficou mais adverso devido ao prolongamento das tensões geopolíticas, que elevaram os preços do petróleo e de seus derivados e aumentaram a volatilidade nos mercados internacionais. Segundo o comitê, esse contexto demanda cautela especialmente por parte dos países emergentes, mais sensíveis a oscilações cambiais e fluxos de capital.
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No cenário doméstico, o BC avaliou que a atividade econômica continua desacelerando em ritmo mais intenso, principalmente nos setores mais cíclicos da economia. Embora o mercado de trabalho siga relativamente resiliente, o comunicado destacou sinais recentes de arrefecimento. Ao mesmo tempo, a inflação voltou a mostrar aceleração, tanto no índice cheio quanto nas medidas subjacentes, permanecendo acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.
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Outro ponto de preocupação continua sendo a deterioração das expectativas inflacionárias. O Copom destacou que as projeções coletadas pelo boletim Focus para 2026 e 2027 se afastaram ainda mais da meta, chegando a 5,2% e 4,8%, respectivamente. A projeção de inflação do próprio Banco Central para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, subiu para 3,5%.
O comunicado manteve a avaliação de que os riscos para a inflação seguem elevados e com viés altista. Entre os principais riscos de alta, o colegiado citou a persistência da desancoragem das expectativas, possíveis efeitos secundários dos choques relacionados ao petróleo e ao clima, uma inflação de serviços mais resistente do que o esperado, estímulos à demanda que sustentem o crescimento acima do potencial da economia e uma eventual combinação de políticas internas e externas que provoque maior depreciação cambial.
Do lado baixista, o Banco Central destacou a possibilidade de uma desaceleração econômica doméstica mais intensa, um enfraquecimento maior da atividade global e uma eventual queda dos preços das commodities.
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O Copom também voltou a enfatizar a importância da política fiscal para a condução dos juros. O comunicado afirma que o colegiado segue acompanhando atentamente a evolução do quadro fiscal e seus reflexos sobre os ativos financeiros, reforçando que o cenário atual exige “serenidade e cautela”. A avaliação é de que a combinação de juros ainda bastante restritivos, expectativas de inflação elevadas, maior incerteza e desaceleração mais forte da atividade cria um ambiente particularmente complexo para a política monetária.
Diante desse cenário, o BC sinalizou que continuará monitorando a evolução dos dados para manter o grau de restrição monetária considerado necessário para garantir a convergência da inflação para a meta ao longo do horizonte relevante.
Confira o comunicado na íntegra:
O ambiente externo tornou-se mais adverso em função do prolongamento dos conflitos armados no Oriente Médio, com impactos altistas sobre o preço do petróleo e derivados, e da política monetária mais restritiva nas economias avançadas. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities.
Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores divulgados desde a última reunião aponta para uma moderação mais acentuada da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos. O mercado de trabalho permanece resiliente, porém apresentando sinais de desaquecimento na margem. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram, situando-se acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027 apuradas pela pesquisa Focus distanciaram-se adicionalmente em relação à meta desde a última reunião, situando-se em 5,2% e 4,8%, respectivamente. A projeção de inflação do Copom para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante de política monetária, elevou-se para 3,5% no cenário de referência (Tabela 1), com a incorporação dos choques de oferta materializados desde a última reunião. O Copom relembra que essa projeção utiliza a trajetória da Selic extraída da Focus.
Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista. Entre os riscos de alta para o cenário inflacionário e as expectativas de inflação, destacam-se (i) uma desancoragem das expectativas de inflação por período mais prolongado, com horizontes mais longos incorporando impactos potenciais de segunda ordem de choques de oferta, relacionados ao petróleo e seus derivados, e a efeitos climáticos sobre a produtividade agrícola e custos de energia; (ii) uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto positivo; (iii) uma conjunção de políticas econômicas externa e interna que tenham impacto inflacionário maior que o esperado, por exemplo, por meio de uma taxa de câmbio persistentemente mais depreciada; e (iv) estímulos à demanda agregada, em particular ao componente de consumo, que tenham como resultado o crescimento da atividade econômica acima do produto potencial, enfraquecendo parte dos canais usuais de transmissão da política monetária. Entre os riscos de baixa, ressaltam-se (i) uma eventual desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada do que a projetada, tendo impactos sobre o cenário de inflação; (ii) uma desaceleração global mais pronunciada decorrente dos choques de comércio e do petróleo, e de condições financeiras mais restritivas, em um cenário de maior incerteza; e (iii) uma redução nos preços das commodities com efeitos desinflacionários.
O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Os indicadores correntes de atividade mantêm-se consistentes com uma trajetória de desaceleração no acumulado de 2026. O Comitê monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação.
O Copom decidiu manter a taxa Selic em 13,75% a.a., e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.
O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução. O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta.
Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.
