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Às vésperas da revisão de classificação de mercados do MSCI, marcada para 24 de junho de 2026, a Argentina chega ao processo com fundamentos mais sólidos e melhor acesso ao mercado do que há um ano. Ainda assim, o Itaú BBA avalia que restrições remanescentes e incertezas sobre a continuidade das políticas econômicas devem impedir uma reclassificação imediata para mercado emergente.
Na visão do banco, há uma probabilidade relevante de o país ser colocado em revisão pelo MSCI neste mês, mas uma promoção efetiva deve ficar para 2027.
A Argentina perdeu o status de mercado emergente em 2021, quando foi reclassificada pelo MSCI para a categoria Standalone, ou “mercado isolado”, após anos de endurecimento dos controles de capital que dificultaram o acesso de investidores estrangeiros ao mercado local.
Embora esses controles ainda não tenham sido totalmente eliminados, o Itaú BBA destaca que o país vem avançando na flexibilização das restrições e acredita que a trajetória atual aumenta as chances de um retorno ao grupo de mercados emergentes nos próximos anos.
Avanços nas restrições cambiais
Segundo o BBA, a Argentina avançou significativamente nos critérios avaliados pelo MSCI ao longo do último ano. Entre as principais medidas estão a eliminação do prazo mínimo de permanência de 180 dias para investidores estrangeiros em junho de 2025, a autorização para distribuição de dividendos referentes aos lucros gerados a partir do exercício de 2025 e a implementação, em abril de 2026, do sistema de liquidação Delivery versus Payment (DVP) pela BYMA Clearing, considerado um requisito importante pelo MSCI.
Apesar disso, ainda existem restrições relevantes. Dividendos acumulados antes de 2025 continuam sujeitos a limitações para remessa ao exterior, e o acesso de empresas ao mercado oficial de câmbio para posições antigas permanece restrito.
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Além disso, o Itaú BBA ressalta que o MSCI exige que uma eventual reclassificação seja considerada irreversível. Nesse contexto, a proximidade das eleições presidenciais de 2027 levanta dúvidas sobre a continuidade das políticas econômicas favoráveis ao mercado.
Mercado continua dependente do risco soberano
Para o banco, as ações argentinas devem continuar acompanhando principalmente o comportamento dos spreads da dívida soberana, indicador que seguirá refletindo a confiança dos investidores na política econômica do governo.
Embora o governo tenha privilegiado financiamento doméstico e de organismos multilaterais em 2026, o Itaú BBA considera que recuperar o acesso aos mercados internacionais seria estratégico, especialmente antes das eleições de 2027.
Reservas internacionais fortalecem cenário
O relatório destaca ainda a melhora da posição externa do país. O Banco Central da Argentina já acumulou mais de US$ 10 bilhões em compras líquidas de reservas neste ano, atingindo sua meta anual em apenas cinco meses, e agora trabalha com um cenário entre US$ 13 bilhões e US$ 17 bilhões.
Esse desempenho foi impulsionado por emissões de dívida corporativa no exterior, pela forte safra agrícola e pela alta dos preços internacionais do petróleo, que elevou as receitas de exportação de energia.
Segundo o Itaú BBA, uma vez restabelecido o acesso aos mercados internacionais, a tendência é que o Tesouro argentino passe a refinanciar seus vencimentos de dívida, em vez de utilizar reservas internacionais para honrar pagamentos, fortalecendo sua posição de crédito no longo prazo.
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