Sucessão de Merkel

Alemanha: Olaf Scholz, do partido de centro-esquerda, declara vitória nas eleições e defende governo com verdes e liberais

"Uma coalizão social-ecológica-liberal tem sólidos pressupostos na história, e é isso que temos de fazer", afirmou Scholz

Olaf Scholz (Fonte: Wikimedia Commons)

O vice-chanceler e ministro das Finanças da Alemanha, Olaf Scholz, declarou vitória nas eleições federais do último domingo (26) e disse que o povo expressou o desejo de ver um governo entre social-democratas, liberais e verdes.

“Uma coalizão social-ecológica-liberal tem sólidos pressupostos na história, e é isso que temos de fazer”, afirmou Scholz, líder do Partido Social-Democrata (SPD), de centro-esquerda, vencedor das eleições com 25,7% dos votos, segundo resultados oficiais preliminares.

Isso corresponde a 206 das 735 cadeiras no Parlamento, o que significa que o SPD precisará costurar alianças para formar um novo governo, processo que pode durar meses – até lá, Angela Merkel, da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), segue no poder.

O segundo lugar nas eleições ficou com a própria CDU e seu braço na Baviera, a União Social-Cristã (CSU), que obtiveram 24,1% da preferência (196 assentos no Parlamento), quase nove pontos a menos que no pleito de 2017.

Já os Verdes saltaram de 8,9% para 14,8% (118 assentos), puxados pela crescente preocupação com a crise climática na juventude da Europa Ocidental, enquanto o Partido Democrático Livre (FDP), de orientação liberal, passou de 10,7% para 11,5% (92 assentos).

A CDU já governa em aliança com o SPD, seu maior rival, desde 2013, mas Scholz deixou claro que não pretende reeditar essa grande coalizão. “Os eleitores expressaram sua vontade de modo claro: reforçaram SPD, verdes e liberais, e esses três devem guiar o novo governo”, declarou o vice-chanceler em Berlim nesta segunda-feira (27).

O SPD já governou em aliança com o FDP entre 1969 e 1982, com Willy Brandt e Helmut Schmidt, e em coalizão com os Verdes, entre 1998 e 2005, com Gerhard Schröder, mas nunca com os dois ao mesmo tempo.

“CDU e CSU não apenas perderam muitos votos, mas também receberam a mensagem dos eleitores de que agora não podem mais estar no governo, devem ir para a oposição”, reforçou Scholz.

No entanto, apesar do otimismo do vice-chanceler, a fragmentação do Parlamento deve dificultar as negociações para a formação do governo, especialmente por causa das diferenças entre liberais e verdes.

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Como envolver os dois partidos é a única forma de evitar a repetição da coalizão entre SPD e CDU, o próprio líder do FDP, Christian Lindner, já sugeriu começar as negociações com os próprios Verdes, e não com as duas legendas mais votadas.

Cabe destacar que as ações alemãs atingiram máximas em dez dias nesta segunda-feira, depois que o resultado da eleição federal reduziu as chances de uma coalizão de esquerda formar um governo, enquanto os mercados europeus mais amplos acompanhavam um salto nos preços do petróleo, que impulsionava os papéis ligados à commodity.

Embora possa demorar um pouco até que o novo governo seja formado, os investidores ficaram aliviados com o fato de o partido de extrema esquerda Linke ter ficado abaixo do limite de 5% necessário para entrar no Parlamento.

Às 8h04 (horário de Brasília), o índice alemão DAX avançava 0,48%, a 15.606 pontos.

(com Ansa Brasil e Reuters)

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