Eleições americanas

Acordo comercial com China pode pesar contra Trump em campanha eleitoral

O governo até agora tem hesitado em aumentar a pressão ou desistir completamente do acordo, mesmo quando a retórica de ambos os lados esquenta

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(Bloomberg) — O acordo comercial que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou com a China há menos de quatro meses passou de pedra angular de sua candidatura à reeleição a um potencial problema político quando a pandemia abala a relação entre as duas maiores economias do mundo.

O pacto da fase 1, que entrou em vigor em meados de fevereiro, está aquém em várias frentes, como as promessas de Pequim de grandes compras de produtos agrícolas e de energia. Mas o governo Trump até agora tem hesitado em aumentar a pressão ou desistir completamente do acordo, mesmo quando a retórica de ambos os lados esquenta.

Em entrevista à Fox News na noite de domingo, declarações de Trump despertaram a preocupação de uma volta das hostilidades econômicas com a China. Ele vê as tarifas como “punição” de último recurso pela resposta do governo chinês à pandemia e ameaça se retirar do acordo comercial se as promessas de compra de Pequim não forem cumpridas.

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A economia dos EUA afunda, o número de mortos por Covid-19 no país se aproxima de 68 mil e cerca de 30 milhões de americanos agora estão sem emprego, colocando Trump contra a parede. Se responder com muita força ao crescente clamor público para punir a China – com sua arma econômica favorita, as tarifas -, o presidente dos EUA corre o risco de prejudicar consumidores e empresas que já enfrentam a recessão mais forte desde a década de 1930.

“A guerra comercial foi iniciada em um bom período econômico, quando tarifas adicionais podiam ser absorvidas”, disse Scott Kennedy, especialista sobre China no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. “Reimpor ou expandir tarifas agora, em meio à pandemia global e ao desemprego nos EUA acima de 20%, seria muito mais difícil de justificar economicamente ou defender politicamente.”

Anúncio de Biden

Assessores de campanha do ex-vice-presidente Joe Biden, provável candidato à presidência do Partido Democrata, tentam explorar o que veem como fraqueza flagrante na abordagem de Trump.

“No momento, a China tem toda a influência”, disse Jake Sullivan, ex-assessor de segurança nacional de Biden que aconselha sua campanha.

Em anúncio recente na TV, a campanha de Biden disse que Trump acreditou nos chineses quando o presidente Xi Jinping disse no início deste ano que o vírus estava contido. Assessores de Biden argumentam que a catástrofe econômica e de saúde poderia ter sido evitada ou contida se o presidente dos EUA tivesse sido mais duro com a China no início deste ano, em vez de elogiar o acordo comercial.

“O momento do acordo não poderia ter sido pior do ponto de vista da saúde pública, porque foi precisamente durante esse período de janeiro e fevereiro que o que mais precisávamos era de uma demanda por transparência, uma demanda por cooperação, uma demanda por respostas dos chineses”, disse Ned Price, ex-funcionário do Conselho de Segurança Nacional do governo Barack Obama.

Abordagem de Trump

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Trump disse na noite de domingo, em entrevista televisionada no Lincoln Memorial em Washington, que tem sido mais duro com a China do que os governos anteriores e que alcançou um acordo comercial “incrível”.

A pressão política para fazer algo, no entanto, aumenta dentro de seu próprio partido. Embora Trump tenha negado informações que circularam na semana passada de que seu governo planeja cancelar parte das obrigações de dívida dos EUA com a China, ele disse que tinha muitas outras maneiras de punir o país.

No domingo, Trump chamou as tarifas de “a maior ferramenta de negociação”, mas não respondeu diretamente a uma pergunta sobre se as usaria agora contra a China pelo fracasso do país em conter a propagação do vírus.

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