Na despedida

3 palavras, 11 milhões de empregos: o legado de Draghi à Europa

Presidente do BCE prometeu salvar o euro em 2012 e implantou medidas anticrise como juros negativos e compras de ativos

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(Divulgação/BCE)
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(Bloomberg) — Três palavras — “whatever it takes” ou “o que for preciso” — definiram o mandato de Mario Draghi na presidência do Banco Central Europeu. Mas ele se orgulha mesmo é de outro número: 11 milhões de empregos.

É raro Draghi deixar de mencionar o crescimento do emprego na zona euro como justificativa para o extraordinário estímulo monetário que ele implementa desde 2011.

O foco na criação de vagas é compreensível. Afinal, apesar de todos os esforços, ele não atingiu sua principal meta, a inflação. Esse fracasso forçou uma última — e polêmica — tentativa dele em setembro de acelerar a variação dos preços. Ele lidera sua última reunião do Conselho Geral do BCE na quinta-feira e se aposenta em 31 de outubro.

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Draghi prometeu salvar o euro em 2012 e implantou medidas anticrise como juros negativos e compras de ativos. Como se comportou a economia da região sob a batuta dele? Estas métricas mostram alguns de seus sucessos e fracassos.

Mercado de trabalho

Sem dúvida o crescimento do emprego desde 2013 — quando a zona do euro, formada por 19 países, emergiu de duas rodadas de recessão — é a maior conquista de Draghi na economia. Isso desconsiderando que a moeda única poderia não existir hoje sem o compromisso dele no ano anterior de proteger o euro quando uma crise de dívida alimentava temores de ruptura da união monetária.

O mercado de trabalho deu retaguarda à recuperação do bloco, sustentando gastos e investimentos privados.

Crescimento econômico

Assim como no mercado de trabalho, as diferenças regionais são impressionantes em termos de crescimento econômico. Excluindo Grécia e Chipre, profundamente abalados por anos de austeridade e o quase colapso de seus sistemas financeiros, a Itália natal de Draghi teve o pior desempenho em termos de produto per capita.

Inflação

A principal razão para os juros no menor nível histórico, empréstimos de longo prazo baratos e 2,6 trilhões de euros (US$ 2,9 trilhões) em compras de ativos é superar a inflação baixa demais.

Tais esforços não foram tão bem-sucedidos. Nos oito anos de Draghi no cargo, a variação anual dos preços ao consumidor ficou em 1,2% na média, portanto longe da meta de “abaixo, mas próximo de 2%”. A variação por vezes foi negativa, então o comandante do BCE pode pelo menos se consolar com o fato de ter derrotado a deflação.

Crédito bancário

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Outro indicador importante usado pelo BCE se refere aos empréstimos bancários a pessoas físicas e jurídicas, que responderam melhor aos estímulos. O crédito vem aumentando três vezes mais rápido que o Produto Interno Bruto, a uma velocidade de quase 4%. Os bancos reclamam que essa expansão é ameaçada por taxas de juros negativas, que deprimem suas margens de lucro e podem eventualmente afastar as instituições dessa atividade.

Grécia

Uma pequena economia consumiu muita atenção de Draghi. As preocupações com as finanças públicas da Grécia vieram à tona no final de 2009 e, em 2015, o BCE se viu no meio de uma crise bancária e estratagemas políticos que ameaçavam fragmentar a união monetária.

Draghi manteve as instituições financeiras vivas no país, aprovando liquidez emergencial por período apenas suficiente para permitir uma solução política que manteve a Grécia no bloco. Desde então, aquela economia começou a se recuperar, mas o próprio Draghi admitiu este ano que o povo grego pagou caro.

Futuro do euro

Apesar da comoção em torno de um possível “Grexit” e de facções na França e Itália flertando com a ideia de um futuro longe da união monetária, mais países aderiram ao bloco. A Letônia entrou em 2014, a Lituânia no ano seguinte e outras nações do Leste Europeu expressaram interesse em fazer o mesmo.

No final do mandato de Draghi, a probabilidade estimada de ruptura do bloco está perto do menor nível em registro. Talvez seja este o grande legado dele.

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