Food service

Por que esta “loja de tudo” para pequenos e médios restaurantes recebeu R$ 351 milhões

A Frubana é colombiana, mas o Brasil caminha para ser seu maior mercado. Startup divulga desconto médio de 15% a 18% em laticínios, perecíveis e proteínas

Frubana
Frubana no Brasil: Antonio Capezzuto, líder de expansão da Frubana Brasil; Mayara Romão, líder de pessoas da Frubana Brasil; e Breno Lopes, diretor regional da Frubana Brasil (Divulgação)

SÃO PAULO – Pequenos e médios restaurantes tiveram de se digitalizar para sobreviver às restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus. Mas um desafio permanece: comprar matéria-prima a um preço acessível, mas mantendo rapidez na entrega e qualidade dos produtos. A Frubana está tentando atacar esse problema na Colômbia, no México e no Brasil. Sua inspiração é ambiciosa: ser uma “loja de tudo” para pequenos e médios restaurantes, como a gigante do comércio eletrônico Amazon é para consumidores finais.

A Frubana conecta produtores a estabelecimentos por meio de um aplicativo, assumindo todo o trabalho de estocagem e entrega.

A ideia de um food service verticalizado e digital atraiu investimento e investidores de peso. A startup captou um série B de R$ 351 milhões (US$ 65 milhões), liderado por Hans Tung, do fundo GGV Capital. O GGV já investiu em negócios como Airbnb, Alibaba e Didi Chuxing. A rodada foi completada pelos fundos Lightspeed Ventures (Epic Games, Grab e Telegram), Monashees (Enjoei, Méliuz e Loft), SoftBank (Creditas, Doordash, Gympass) e Tiger Global Management (Airbnb, Brex e Roblox).

O Do Zero Ao Topo, marca de empreendedorismo do InfoMoney, entrevistou Breno Lopes, diretor brasileiro da Frubana. Lopes falou sobre o novo investimento e sobre os planos de expansão da Frubana. O Brasil é o grande foco da startup – deve tornar-se seu maior mercado em pouco mais de seis meses de operação.

Mercados e restaurantes atendidos por app

A Frubana atende mercados e restaurantes de pequeno e médio porte, fornecendo alimentos perecíveis, laticínios e proteínas. O diretor brasileiro da startup estima que os restaurantes gastem cerca de US$ 100 bilhões a US$ 120 bilhões com suprimentos na América Latina. São 2 milhões de restaurantes na região, cerca de 1 milhão deles apenas no Brasil. “Existem dois problemas no setor. Primeiro, os estabelecimentos não conseguem bons preços por conta de diversos intermediários. Segundo, têm diversos fornecedores e precisam sair do restaurante para fazer as compras em cada um”, diz Lopes.

A Frubana recebe itens que vêm tanto de agricultores quanto de indústrias como Camil e União. Os produtos são armazenados em centros de distribuição da própria startup, e depois entregues aos estabelecimentos. Os mercados e restaurantes fazem os pedidos pelo aplicativo ou site da Frubana.

“Temos uma solução de ponta a ponta, como uma Amazon para suprimentos a mercados e restaurante. Conseguimos uma média de 15% a 18% de desconto sobre as compras feitas da maneira tradicional, e entregamos no dia seguinte”, afirma o diretor brasileiro.

Outros negócios têm seus marketplaces de alimentos e bebidas para clientes pessoa jurídica. No mundo das startups, o aplicativo iFood tem a plataforma iFood Shop. Outro player é o Menu Marketplace. A Frubana aposta em verticalização da cadeia como um diferencial – o iFood Shop e a Menu não são responsáveis pela entrega dos produtos.

Outro investimento é em tecnologia. A startup desenvolve ferramentas de previsão de demanda e de precificação aos produtores. Na parte de entrega, também faz roteirização logística para garantir que os caminhões estejam os mais cheios possíveis dentro do prazo de delivery combinado. Segundo Lopes, não há perda na cadeia da Frubana, ante um desperdício de até 7% na indústria alimentícia.

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“O produto tem que ser separado, sanitizado, empacotado, encaixado nas entregas e chegar no horário marcado e ao menor custo possível. Tudo isso com manuseio constante do alimento, laticínio, proteína ou produto de limpeza. Então, otimização de processo e inserção de tecnologia são fundamentais”. A Frubana foi escolhida como uma das dez empresas mais inovadoras da América Latina neste ano, em lista elaborada pela revista americana Fast Company.

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A Frubana tem mais de 400 tipos de produtos. Além de perecíveis, laticínios e proteínas, a startup já colocou produtos de limpeza e pretende inserir bebidas em breve. Por enquanto, a Frubana atende 10 mil estabelecimentos e entrega apenas na cidade de São Paulo. A monetização vem de uma margem cobrada entre o produto adquirido dos fabricantes e vendido aos mercados e restaurante (markup).

Pandemia e novo investimento

A startup colombiana desembarcou no Brasil em outubro de 2020. “Estávamos antes em testes, justamente por conta da pandemia do novo coronavírus”, afirma Lopes. “Vimos uma taxa de mortalidade grande entre os restaurantes, mas o delivery deu um impulso aos que continuaram. Os estabelecimentos estavam de olho em como melhorar os custos e nossa proposta de valor combinou com essa necessidade.”

O resultado de maio deste ano foi sete vezes maior do que o visto no primeiro mês de operação, em outubro de 2020. A venda foi de 1,5 milhão de toneladas de produto.

Este não é o primeiro aporte recebido pela Frubana. A startup captou um aporte semente de US$ 10 milhões e um série A de US$ 25 milhões. Com os novos US$ 65 milhões, a Frubana vai investir na expansão brasileira e mexicana – o mercado colombiano já está acostumado com a solução da startup, e o negócio já é lucrativo no país natal.

A Frubana pretende ampliar sua atuação para a Grande São Paulo, incluindo ampliar a rede de galpões nos próximos meses. Hoje, são dois armazéns. “Podemos ampliar para outras cidades depois, dependendo da nossa estratégia e da solidez que tivermos na Grande São Paulo. É uma operação complexa de alto volume e pouco margem. Todos os produtos devem chegar no tempo certo e com qualidade certa. Então, não vamos expandir sem ter absoluta certeza da sustentabilidade financeira e da satisfação do cliente”, diz Lopes.

Outro destino dos recursos é capital humano. A equipe brasileira de 300 funcionários deve ao menos dobrar. “Vamos contratar tanto para tecnologia quanto para administração e operação nos nossos galpões.”

O diretor brasileiro diz que o país deve se tornar o maior mercado da Frubana em junho. O objetivo é chegar a um resultado três a cinco vezes maior em dezembro, sobre os resultados vistos em maio. “O mercado de restaurantes está muito aberto a inovação e tecnologia, e o mercado brasileiro representa uma grande oportunidade.”

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Em uma próxima rodada, a Frubana espera investir em tecnologia. Por exemplo, inserir esteiras e robotização em seus centros de distribuição. Novamente, a gigante do comércio eletrônico surge como inspiração. “Vemos isso nos galpões da Amazon ou do Mercado Livre, mas não em empresas que manuseiam alimentos”, diz Lopes.

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