Do Zero ao Topo

Geraldo Rufino revela seu maior erro nos negócios: “eu achei que era ‘o cara’ e quebrei”

Rufino conta que deixou o ego inflar e investiu uma rede de concessionárias. Perdeu R$ 8 milhões e ainda assumiu uma dívida de R$ 16 milhões

SÃO PAULO – O teórico político americano Benjamin Barber disse certa vez que não se deve dividir o mundo entre fracos e fortes ou entre sucessos e fracassos, mas sim entre os que aprendem e os que não aprendem. O brasileiro Geraldo Rufino, fundador da JR Diesel, segue esse pensamento à risca e faz questão de estar sempre no primeiro grupo. Para ele, que assume já ter quebrado seis vezes, tudo se trata de aprendizados.

O maior erro e, consequentemente, a maior lição que Rufino teve em seus negócios aconteceu quando ele achou que era “o cara” e, com sua primeira empresa consolidada, investiu todos os seus recursos em uma nova empreitada. “Eu achei que sabia fazer tudo. Eu tinha a maior distribuidora de peças usadas e vendia 500 caminhões por ano. Todo mundo me dizia que eu era ‘o cara’ e eu acreditava. Até que quebrei”, conta.

Criado na favela, aos oito anos Rufino já ensacava carvão para sustentar a família. Aos 13 anos foi trabalhar de office boy para uma multinacional na qual, anos depois, chegou ao cargo de diretor de operações. Em 1985, fundou a maior distribuidora de peças usadas de caminhões do país, a JR Diesel. A trajetória de Rufino é tema do episódio 83 do Do Zero ao Topo.  É possível seguir o programa e escutar a entrevista em SpotifyApplePodcastsDeezerSpreakerGoogle PodcastCastbox, Amazon Music e outros agregadores de áudio do país.

Nos anos 2000, com a JR Diesel já consolidada no mercado, Rufino investiu em um projeto conjunto com montadoras para criar uma rede de concessionárias de caminhões. “Eu achei que era o cara, que porque vendia peças, sabia vender caminhão”, revelou. “Comecei a investir. A hora que acabou o dinheiro eu comecei a tomar dinheiro [no banco] em uma proporção muito acima do limite”.

Depois de um ano e meio do projeto, as montadoras parceiras resolveram deixar o Brasil por questões internas, sem honrar as entregas e garantias combinadas. Rufino perdeu os R$ 8 milhões que havia investido na nova empresa e ainda assumiu uma dívida de R$ 16 milhões.

“Nós quebramos de não ter dinheiro para pagar a luz. Aí eu voltei para minha origem, coloquei o ‘pé no chão’ e começamos a batalhar para reconstruir”, disse.

Da experiência, ficou o aprendizado sobre a importância de ter humildade e paciência. “Depois disso eu parei de ter pressa. Uma coisa é você ter velocidade e discernimento rápido, a outra é querer tudo para ontem. Faltou planejamento. Planejamento não pode ter pressa e precisa ter ‘lençol financeiro’. Eu trouxe isso como aprendizado e comecei de novo”, conta. Confira sua história completa no podcast.

Sobre o Do Zero ao Topo

O podcast Do Zero ao Topo traz, a cada semana, um empresário de destaque no mercado brasileiro para contar a sua história, compartilhando os maiores desafios enfrentados ao longo do caminho e as principais estratégias utilizadas na construção do negócio.

PUBLICIDADE

O programa já recebeu nomes como André Penha, cofundador do QuintoAndar, David Neeleman, fundador da Azul, José Galló, executivo responsável pela ascensão da Renner, Guilherme Benchimol, fundador da XP Investimentos, Artur Grynbaum, CEO do Grupo Boticário, Sebastião Bonfim, criador da Centauro e Edgard Corona, da rede Smart Fit.

Como a XP foi de uma salinha em Porto Alegre a uma empresa avaliada em R$ 130 bilhões? Esta série gratuita mostra